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Retratos: Canídeos

JC - 13/02/2020 - 9:19

Na villa acaba de abrir aos canídeos do Burgo um parque de diversões para amigos de quatro patas. Uma estrutura moderna que, segundo rezam as crónicas, torna o Condado moderno e mais amigo do próximo. Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, em tempos teve um cão. Chamava-se Milordes e era mais fiel que muitos humanos. - “Só mordia quando fechava a boca”, esclarecia o responsável da BR, que depois de ver o Parque Canídeo do Burgo, foi assaltado por uma saudade imensa.
- “Se fosse hoje voltava a ter um Milordes. E que bem que ele se iria divertir”, acrescentou Jeremias, enquanto olhava para o jardim ao pé da sua residência com uma revolta sofrida. - “Deveria haver uma legislação para aplicar multas às pessoas que deixam os «cocós» dos seus cães na via pública e nos jardins onde brincam as crianças. E essa multa, agora que até temos no Burgo um parque destinado aos «lulus», deveria ser duplicada”, esclareceu.
- “Tens toda a razão. No outro dia o meu neto mais novo chegou a casa com os sapatos todos conspurcados de dejetos caninos que o vizinho do prédio ao lado fez questão de deixar na entrada do meu. Fui-lhe lá tocar a campainha! A sorte dele é que não estava em casa, pois levava-lhe o saquinho com a dita para lhe deixar lá!”, disse Godofredo, secretário geral da BR, que com Jeremias foi ver como funcionava o Parque Canídeo do Burgo.
- “E aqui podem ladrar e correr à vontade. Não há desculpas para continuarmos a ouvir uivos durante a noite por falta de passeio”, acrescentou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal, também presente na vistoria.
- “Isto para não falar das lambedelas a que estamos sujeitos nas esplanadas das Dokas, como se ao café e à empada viessem associadas carícias caninas não solicitadas, acompanhadas de risos justificados com a liberdade de expressão e sem direito a pedido de desculpas”, disse Godofredo, para quem agora, “como o novo parque, não há razão para não deixar felizes os cães do Burgo e deixar sossegados os passeios, jardins e esplanadas da Villa…”.
- “Se fosse mais novo, também eu teria um cão…”, reforçou Jeremias, satisfeito pela modernidade do Burgo.

 

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