O avô de Jeremias que foi para a terra da verdade há já 30 anos, dizia sempre que o pingo lhe corria no nariz, que estava com “o gripo”, numa clara alusão a uma constipação mais forte, que no seu entender só era curada com uma ginjinha ao almoço e outra ao deitar. - “Só de olhar para o frasco das ditas até lhe nascia uma alma nova”, referia Jeremias, enquanto esclarecia que a ginja era de facto a única bebida alcoólica que o seu avô degustava.
- “Nunca o vi alegre pela bebida, mas muitas vezes o vi revoltado por não serem respeitados os valores sociais que defendia”, disse o presidente da Brigada do Reumático na sua intervenção na Assembleia Geral da BR realizada esta semana. - “O meu avô sempre foi um republicano e, já no seu tempo, um homem com ideias à frente da época em que viveu. Uma vez foi a terras de sua majestade e viu lá homens de saias. Explicaram-lhe que eram kilts e que faziam parte da história desse país. E ele lá aceitou o facto”, prosseguiu Jeremias, que de imediato chegou à saia do assessor do ABRE, que na tomada de posse da deputada daquele partido no Parlamento Lusitano não foi gago no vestuário, associando-lhe uma meia verde para a indumentária ficar completa”.
- “Lá está o Jeremias a dar ar de conservador!”, referiu na fila do meio Juvenal, sócio da Brigada do Reumático desde o início destas crónicas e adepto de coisas inovadoras.
- “Pois, se calhar se a meia fosse vermelha, a chamar ao Senfica, estava tudo bem”, retorquiu de forma irónica Godofredo, secretário geral da BR, para quem a entrada de um homem de saia no parlamento não é algo que dignifique a instituição. - “Mas, como diz o outro, cada um vai como quer e ele foi assim para aparecer em todos os jornais, nas redes sociais, televisão e até nesta maldita prosa”, acrescentou.
- “E assim, a saia do Carolino foi mais badalada que o programa do Governo Lusitano”, concluiu Jeremias, para quem a situação já nem com uma ginjinha se resolve…
JC