“Exmo. senhor doutor Campos, Ministro das Causas Naturais, vimos por este meio manifestar a nossa insatisfação face às algas que estão a afetar aquele o rio que sua Exa. diz não ter capacidade produtiva de água, o Tonsul”. É desta forma que começa a carta da Brigada do Reumático dirigida ao Governo Lusitano, sobre a questão da alga verde que não deixa ver a água do rio, mas também sobre a diminuição da dita no caudal, e que o Retratos aqui reproduz:
-“Queria V. Exa. registar, que o Tonsul é dos rios do imaginário dos burgueses e dos habitantes da Área Metropolitana do Burgo, e que desde a sua nascente até ao Tajo, sempre apresentou uma qualidade de água muito boa até ao sítio em que a poluição castelhana invade o Tajo. Reza a história que até o Rei D. Carlos ali se banhou, ou pelo menos teve vontade disso, tal era a limpidez da água que neste leito corre.
No verão passado secaram-nos o rio. E de V. Exa. apenas tivemos o conforto de chamar ao nosso Tonsul de rio pequeno que nem água produzia para se alimentar, e que o problema era esse, quando, em mais de 50 anos, nunca nos tinham secado o rio. Ficou por dizer que os castelhanos esvaziaram a barragem de um lado e não colocaram água no Tajo como se impunha. Mas, para si, o problema era o Tonsul, aquele onde tantas vezes os burgueses pescam, onde por isso se degustam umas migas de peixe que são capazes de dar consolo a qualquer membro do Governo, seja ele de que partido for. O Tonsul, que agora está doente, exibe uma carapinha verde e acastanhada a precisar de uma recolha mecânica. Parece que entrou ali o restaurador Olex!
Mas senhor Ministro, o Tonsul está, novamente, a baixar os seus caudais porque alguém no outro lado da fronteira lhe tira a água e não a devolve para o lado lusitano. Sabemos que o estudo divulgado por V. Exa. revela que o facto do rio ter secado no passado verão não trouxe prejuízos. Então não trouxe??! Milhares de turistas castelhanos deixaram de vir ao Burgo, pois entrevam no condado pelo Barco que ali navegava; A região deixou de poder usufruir de umas banhocas nas suas águas; os peixes morreram; os lagostins deixaram de vir para as mesas dos cafés; o povo entrou em depressão por ver o rio seco! E agora diz-nos que não houve prejuízos! Estará sua Exa. a querer preparar-nos para um verão igual, com o rio seco, com os castelhanos a levarem-nos a água?
Na expectativa de nos poder mandar limpar o rio Tonsul e de nos garantir que ninguém mais nos rouba a água, vem a Brigada do Reumático colocar-se à sua disposição para, no terreno, poder contribuir para uma rápida solução do problema.
Com estima, Jeremias, presidente da Brigada do Reumático”.
JC