Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, já perdeu a conta às fotos que tirou às cegonhas do Burgo. - “Tenho-as fora do ninho, dentro do mesmo, em cima de chaminés, no topo de estruturas de ferro, no cimo dos prédios, etc”, justificava o responsável máximo da BR enquanto recordava a história da demolição da empresa de metalurgia do Burgo.
- “As coisas são mesmo assim, sem se saber critica-se. Mas às vezes se não forem feitas críticas, as histórias também não correm como deviam”, disse.
- “Lá nisso é verdade e agora vão começar também a recuperar uma outra chaminé que dizem ser para integrar um hipermercado, preservando as cegonhas”, referia Godofredo, secretário geral da BR, para quem o processo está a ser mais difícil.
- “Para iniciarem esse processo tiveram que retirar o ninho das ditas, mas a teimosia das cegonhas fez com que, num curto espaço de tempo, voltassem a tentar fazer o ninho”, explicou Godofredo.
- “Então e depois?”, questionou Evaristo, preocupado, após ver as redes sociais na internet.
- “Então alguém se lembrou que a melhor maneira de fazer com que não fizessem mais o ninho ali, seria colocando fumo na chaminé”, esclareceu Godofredo.
- “E resultou?”, perguntou Jeremias.
- “Digamos que a cegonha branca virou cegonha preta, isto sem qualquer tipo de linguagem racista ou outra qualquer que agora temos que ter muito cuidado com as palavras.
- “Tens razão, mas no Burgo sempre tentámos seguir aquela máxima, todos diferentes, todos iguais. E isso é que importa. Isso e as cegonhas!”, sublinhou Evaristo.
Na conversa, o presidente da Brigada do Reumático ficou mais descansado com a informação que ninguém “quis dar cabo das aves, nem tão pouco da chaminé, preservando-se, por um lado a mãe natureza; recordando, por outro, que a chaminé que outrora poluiu o Burgo, também pode ser vista como um fator de preservação das espécies. Um pouco à semelhança do que sucedeu do outro lado da linha, na empresa de metalurgia do Burgo…”.
JC