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Retratos: Cerejas do Burgo

JC - 30/05/2019 - 9:25

No Largo dos Vais Preto, paredes meias com a Igreja Mãe do Burgo, Guilhermino, 76 anos feitos há uma semana, tirou o saco de plástico do bolso e deitou-se a uma de duas cerejeiras que ali se encontram, que a outra estava ocupada pelo vizinho Azdrubal, também ele residente no bairro mais antigo da Villa. - “Dizem que são silvestres, mas são muito boas. E ao preço a que no-las querem vender, estas sabem-nos muito bem”, justificava Guilhermino, enquanto, na cadência de duas cerejas para o saco e uma para a boca, tentava encher o dito recipiente.
- “Isto sim é qualidade de vida. Até cerejas temos para degustar”, disse Azdrubal, que nessa tarte haveria de se ir inscrever na Brigada do Reumático. - “Passamos o tempo todo aqui, de banco para banco, consoante a sombra no verão e primavera e o sol no outono e no inverno. Mas isto, por si só, não é vida. Pelo menos na BR sempre podemos fazer coisas úteis à comunidade”, explicou.
- “Fazes tu muito bem”, disse Jeremias, presidente da BR, que depressa se prontificou para lhe assinar a proposta de associado. - “Na Brigada ninguém paga quotas! Queremos é que os nossos associados se sintam bem e que participem nas nossas atividades de forma ativa, numa lógica construtiva para o Burgo”, acrescentou.
- “Então e essas cerejas?”, perguntou Godofredo, secretário geral da BR, que ao fim de tantos anos só na manhã de segunda-feira deu conta das ditas no Largo Vais Preto. 
- “Estão boas, mas quentes. Deveríamos ter vindo mais cedo!”, respondeu Guilhermino, que também concordou em ir associar-se à Brigada do Reumático, garantindo a sua presença no almoço convívio previsto para um dos fins-de-semana da feirinha dos sabores…

JC

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