Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, foi à ermida da padroeira do Burgo, pedir as preces divinas para uma chuvada à moda antiga. - “Antigamente era assim que se fazia e, segundo me contou o meu avô que a terra acolheu há 50 anos, sempre que havia seca pedia-se a intervenção divina. Aliás, na Romaria, quando sai a procissão, quase sempre caem uns pingos de água”, justificou.
Na sua missão, Jeremias foi acompanhado por Godofredo, secretário geral da BR, para quem a falta de água nos rios só foi notícia na Kapital duas semanas depois. - “Devem ter pensado que a dita também lhes iria faltar. Só assim soaram os alarmes. Ao contrário de um passado recente em que a poluição do rio Tajo era tema constante nos telejornais diários e na telefonia. Até o Ministro das Causas Ambientais veio ao terreno criticar a situação, mas agora ninguém o viu por cá. Mas, pior do que isso, ninguém o ouviu!”, disse Godofredo.
- “Só falam quando lhes convém!”, acrescentou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR, para quem a iniciativa da Brigada do Reumático foi muito útil. - “Podem dizer o que quiserem, o certo é que pouca ou muita, a chuva passou por cá”.
A conversa dos três elementos da BR decorria à margem de uma aula na Universidade Sénior do Burgo. - “Este ano decidimos inscrever-nos. É mais um ato de cidadania participarmos nestas atividades onde estão muitos amigos”, esclareceu Jeremias, que está entusiasmado com a possibilidade de ser avançado na equipa de futebol a caminhar da Universidade. - “Nos meus tempos era ponta de lança e fazia muitos estragos nas balizas adversárias”, concluiu o presidente da BR, na expetativa de que a chuva fique por uns tempos…
JC