Na esplanada do café Beiral Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, procurava degustar os famosos caracóis, entre dois dedos de conversa com os seus amigos do costume, Godofredo, secretário geral da BR, e Evaristo, presidente do Conselho Fiscal. -“São os melhores da Villa”, disse, enquanto olhava com atenção para o telemóvel que o neto mais novo lhe havia oferecido.
-“Há por aqui gente que se trinca a língua fica doente, tantas são as maledicências e verborreias que apresentam”, referia Jeremias, enquanto lia algumas das informações partilhadas nas redes sociais.
-“Então Jeremias, o que se passa? Cada um tem o direito que dizer o que lhe vai na alma. As redes sociais são mesmo assim. Nem tudo o que parece é e cada um é livre de se expressar”, esclareceu Godofredo.
-“É verdade, eu não sou especialista nestas coisas, mas em vez de aproximar pessoas, afasta-as e cria ódios de estimação. Somos uma comunidade pequena, e a ofensa não pode ter lugar aqui”, retorquiu o presidente da Brigada do Reumático.
-“Parece que o Burgo não presta! Que tudo o que foi ou está feito não presta, que somos todos maus e pouco sérios. O Burgo é feito de pessoas boas e este tipo de insinuações e ofensas só gera mau estar”, disse Evaristo, reafirmando que todos têm o direito à sua opinião, “não podem é mentir, nem insinuar coisas”.
-“É verdade, ainda ontem li numa dessas redes sociais que os caracóis do café Beiral já não eram como antigamente. Se ligasse a isso não estávamos aqui. E provem lá, continuam bons ou não?!”, perguntou Jeremias.
-“Continuam”, respondeu Godofredo, para quem “o Burgo se especializou nesta iguaria e que em quase todos os cafés da Villa se consegue comer uma boa caracolada”.
-“E quem disser o contrário não está a ser sério”, concluiu Evaristo, para quem “a ‘invejite aguda’ é outra chaga da sociedade, também ela visível nas redes sociais que nos entram nos telemóveis. E contra isso não há nada a fazer. É não ligar e mostrar trabalho, porque do trabalho ninguém tem inveja…”.
JC