Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, assistiu à última Reunião Magna do Burgo onde o desfile carnavalesco, ou a falta dele, foi tema de discussão. - “Foi um debate sem disfarce e com o assumir de responsabilidades. O presidente do Burgo, Docente, considera que o modelo do corso carnavalesco está esgotado. O Roseiral concorda, mas o Infinito lembra os milhares de pessoas que deixaram de vir à Villa para assistir ao desfile”, disse o líder da BR.
No salão nobre do Condado, a discussão em torno daquele que, por momentos, até pareceria ser o assunto mais importante para o Burgo tomou conta da argumentação partidária. - “Não gosto que se diga carnaval, isso é linguagem do outro lado do oceano. Aqui sempre se pronunciou Entrudo”, referia o deputado do Basta, Rio, lembrando ainda que o dinheiro “gasto nas passagem de ano foi um exagero. Deviamos era ter artistas do Burgo a atuar, isso é que era! Nessa noite ninguém quer saber quem toca, o pessoal quer é divertir-se”, prosseguiu.
Na plateia, onde as cadeiras colocadas no final da sala mal permitiam a instalação dos burguenses que quiseram assistir, Libertino, recordava o grupo musical «Os Pelinhas». - “Esse é que era. «Os Pelinhas» fizeram sucesso e nunca lhes foi permitido tocar nas Dokas numa passagem de ano”, cochichava o ainda defensor das causas do Burgo.
- “Outro grupo interessante seria o «Girodisco» que interpreta sucessos ao ritmo do samba”, respondia, também em voz baixa, Nocas, 70 anos feitos há pouco tempo, para quem este conjunto até poderia ter tocado na tarde do entrudo. - “Podiam não ter feito desfile, mas ao menos davam música ao pessoal e convidavam-nos a todos a ir ver as máscaras do mundo”, reforçou.
No pulpito do salão nobre, os argumentos da realização e ausência do Carnaval, prosseguiam em velocidade acelerada até à estrada do 31. - “Se não fossemos nós essa via nunca seria em autoestrada”, frisava o deputado do Infinito. - “Não senhor! Isso é demagogia pura. O senhor presidente é que foi falar com o Ministro Primeiro e assim resolveu o assunto”, contrapôs o Roseiral. - “É verdade, eu é que fui falar com quem podia decidir e a situação resolveu-se”, acrescentou o presidente do Burgo.
Ao fundo da sala, já com os joelhos doridos devido à falta de espaço entre as cadeiras, menor do que voo de companhias de baixo custo, Nocas comentava para Libertino: - “parece mesmo uma reunião de Carnaval”, a que Tobias, defensor do Basta e antigo adepto dos vermelhistas, respondeu: - “não é Carnaval que se diz, é Entrudo…”, encerrando-se assim mais uma reunião magna do Burgo.
JC