O sobrinho neto do presidente da Brigada do Reumático todos os anos, mais ou menos por esta altura, mete férias ao emprego que abraçou vai para 20 anos, e dá o corpo ao manifesto na apanha da azeitona. - “No início ainda me perguntavam se era para aproveitar o verão de São Martinho, época baixa na hotelaria, com preços acessíveis. Mas lá lhes explicava que era para ir apanhar azeitona. Havia amigos que ironicamente me diziam que apanhavam a deles em agosto...”, explicava António Frederico, Tonico para os mais chegados.
- “E este ano a safra é boa?”, questionou Jeremias, que no sábado acompanhou o sobrinho nas ditas tarefas agrícolas.
- “Estão carregadas! Vamos ter muito azeite e azeitona para a talha. E desta vez os tais amigos vieram ajudar”, explicou Tonico, enquanto mostrava o funcionamento das varas de abanar ramos de oliveira.
- “E a que é que se deveu essa ajuda?”, insistiu o líder da BR.
- “No ano passado compraram o garrafão de azeite a 40 e a 50 ERES. Perceberam que se calhar é melhor colherem a dita. Em troca levam para casa um produto de excelência, pois comigo é assim: quem trabalha deve ser remunerado por isso. Não havendo guito para pagar, liquida-se o apoio em azeite do bom”, esclareceu o jovem de meia-idade.
- “São as chamadas férias à Senfica!”, disse Tobias, amigo de longa data de Tonico, que durante anos dizia que só colhia a azeitona em agosto.
- “Mas também te digo, sai-nos do corpo, mas reforça-se a camaradagem e a amizade. É uma ótima terapia que deveria ser seguida por quem já nem a pimenta na língua é afastado da maledicência”, prosseguiu Tonico.
- “E para o ano há mais”, concluiu Jeremias, elogiando o trabalho desenvolvido e as conversas da rapaziada, que deixaram de fora as diferenças políticas colocando à frente os valores da amizade e da camaradagem, como sempre deveria ser...