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Retratos: Fila

JC - 11/06/2026 - 9:00

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, demorou uma hora a percorrer quatro quilómetros entre a sua casa e a Ermida da Nossa Senhora do Burgo. -“Nem nos tempos de antigamente a confusão foi tamanha”, começou por referir o líder da BR, que acompanhou o neto da vizinha Donzília, afilhado de coração, na bênção das fitas do curso que concluiu na Grande Escola.

-“Ainda disse para a minha cara-metade: de certeza que não tiraram os pedregulhos das entradas do parque de estacionamento”, reforçou Jeremias, enquanto degustava, na segunda-feira, um pastel na esplanada da Velar, paredes meias com o centro cívico do Burgo.

-“Como as autoridades de segurança não informavam os automobilistas de que lá em baixo, na Ermida, havia parques de estacionamento que nem nas romarias ficam cheios, quem veio ver os filhos benzer as ditas, começou a estacionar muito antes da escola das agronomias”, insistiu.

-“Uma hora? Só para descer a rua?”, questionou Godofredo, que devido a uma noite mal dormida, acabou por não ir à festa.

-“Uma hora! É que nenhum agente da autoridade deu indicações de que havia estacionamento disponível. Deste modo, entre quem seguia nas viaturas, quem estacionava ao longo da via e quem circulava a pé, parecia que estávamos em hora de ponta na Kapital”, esclareceu Jeremias.

-“Então foi um bom cartão de visita para a Villa?!”, exclamou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal.

-“Então não foi! Houve gente que quando chegou à missa, a mesma já tinha terminado. Já nem comungaram. Pegaram nos banquinhos de campismo e regressaram às suas viaturas, rua acima, perante o olhar atento dos seguranças que tomavam conta das suas viaturas junto à ponte da ribeira e observavam o parque de estacionamento vazio...”, concluiu Jeremias, que não se recorda de uma romagem com tamanha fila de espera...

 

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