Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, está apreensivo. Ainda a tempestade não tinha chegado ao Burgo e já uma parede da muralha caíra perto do centro da Villa. - “Quem ouviu disse que parecia uma locomotiva com os carretos avariados. Até o neto da dona Efigénia que tinha os fones à prova de ruído estremeceu”, explicava Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, no tradicional café da manhã, desta vez na Dokas, para observar as obras do Grande Lago Psicadélico do Burgo.
- “Esperemos que nada caia e que também a parte subterrânea seja arranjada”, disse Godofredo, secretário-geral da BR, para quem a queda do muro do Burgo teve o mesmo efeito que a queda do muro de Verlim. - “Tal como o germânico, este também aproximou as pessoas”, justificou.
- “Como assim?”, perguntou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
- “Agora todos somos muralha. Há até quem esteja a fazer umas t-shirts todas pipis, à moda do Laranjal, com uma imagem de pedras caídas e a frase «je suis muralha». Algo que não está a cair muito bem no Condado nem na família com a dita alcunha que não quer que o seu nome anda no peito de toda a gente”, explicou Godofredo.
- “Ela aguentou vários séculos, mas não resistiu à burocracia do Burgo nem ao tempo dos procedimentos, se é que chegaram a avançar”, referia, na mesa ao lado, Juvenal, o vermelhista mais vermelho da Villa.
- “Pois, só faltava mesmo colocarem a culpa nos procedimentos e na burocracia do Burgo, quando sabemos que a celeridade é uma imagem de marca deste Condado”, criticou Ludovino, roseirista dos sete costados, daqueles que ainda colou cartazes com o agora secretário-geral do planeta Terra. - “Sejam honestos e não culpem quem não a tem. A culpa foi da vontade, como diz a letra daquela canção cujo nome não me lembro...”, reforçou.
- “Ou da falta dela!”, respondeu, sorrindo, Juvenal, para corrigir a sua expressão de imediato: “vontade até havia, mas faltou o resto e agora os burguenses preparam-se para usar as ditas t-shirts com a frase «je suis muralha»”.
- “Esperemos que não venham outras com a frase «je suis parquetite» em alusão ao parque de estacionamento das Dokas, para o qual já há visitas guiadas às estalactites e uma proposta de mudança de nome de parque para gruta de MiraDokas”, concluiu Jeremias, a contas com uma pintura nova no capo do seu carro devido às gotas caídas do céu daquele equipamento subterrâneo...