Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, anda intrigado com a repentina onda de manifestações que estão a assolar a Nação Lusitana. -"Até os produtores de suínos foram à Kapital protestar contra os problemas que afetam o setor e contra a compra de carne castelhana por parte das grandes superfícies", referia o responsável pela BR, enquanto perguntava, em voz moderada, o porquê de nos "últimos quatro anos não terem sido feitas manifestações semelhantes".
A conversa decorria em tom meio sério na Tasca do Foguetão, que tal como o café Beiral, acolhe muitos fóruns multiculturais, uns acompanhados das pataniscas de bacalhau, outro das iscas com molho, e para quem não gosta de carne ou de peixe, de uns cogumelos/tortulhos na brasa.
-"É uma questão pertinente, no espaço de três meses tudo se transformou", contava Godofredo, secretário geral da Brigada, que como os da sua geração passou por muito ao longo da vida.
-"Ainda sou do tempo em que os negócios transfronteiriços eram clandestinos. Era o jogo do gato e do rato. Hoje, com a liberdade de circulação de bens podemos comprar carne de porco lusitano no reino de castela, eles podem vir aqui comprar carniça produzida com bolotas da sua terra. Mas há ainda quem engorde os porquinhos pretos castelhanos em terras do Burgo, e depois os transforme em presuntos pata escura, como se fossem totalmente castelhanos", acrescentou o secretário geral da BR.
-"É que as nossas bolotas são melhores", explicou Evaristo, que recentemente adquiriu um suíno com pedigree lusitano, para tentar, no tempo próprio, fazer o tal presunto que faz crescer água na boca.
-"Então e fizeste alguma candidatura aos fundos comunitários?", questionou Josué, empresário em nome individual, que no âmbito do Quadro Lusitânia 2020, fez há mais de um ano e meio uma candidatura, a qual apesar de aprovada em não foi contemplada com nenhuma verba.
-"Não foi preciso", ironizou Evaristo, para quem esta história dos protestos tem coisas que a razão desconhece, mas que o povo vai percebendo, ou não tivesse visto em direto, com direito a imagens de helicóptero o protesto pelos suínos lusitanos.
-"O que vale é que as iscas são de porcos nacionais, que se assim não fosse também eu protestava", concluía Jeremias, convidando os colegas de balcão para a abaladiça com as respetivas para palitar. E que bem que lhes souberam.