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Retratos: Ondas

- 14/02/2019 - 14:14

A manhã acorda sempre da mesma maneira, com a telefonia ligada a ouvir as notícias e música que rádio lhe faz chegar. E aos fins-de-semana o ouvido cola-se ao aparelho para ouvir os relatos do Burgo Futebol Clube. –“São rituais que não se perdem”, disse Lambrusco, cuja alcunha vem dos tempos em que começaram a aparecer vinhos espumosos e doces do qual é especial adepto. 
Com 75 anos feitos vai para um mês, Lambrusco sempre gostou de ouvir e fazer rádio. –“No Ultramar não falhava um programa e até fazia comentários dos jogos de futebol que por lá se realizavam”, referia, enquanto escutava com atenção o programa de saúde, que aos finais da tarde de terça-feira entrelinha conselhos e boa música. –“Ainda no outro dia falaram sobre a diabetes, essa doença que afeta muita gente da minha idade”, justificou o antigo técnico comercial, hoje na reserva.
Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, nunca esqueceu aquele relato de 1966, em que a Nação Lusitana deu a volta a um resultado desfavorável contra uns atletas pequenos e rápidos, no Mundial da Bola, em terras de sua majestade. –“E depois fizeram uma marosca e tivemos que ser nós a ir para outra cidade”, recorda.
-“Pois eu do que gostei mesmo foi do último relato do Senfica. Aquilo era só golos cantados”, justificou Godofredo, secretário geral da BR, que nos tempos de estudante tinha sempre a telefonia como camarada de estudo. –“O som vinha em ondas médias, sem grande qualidade”, conta, para depois recordar que, na última vez que foi ao estrangeiro, ter ouvido, “pela internet, o relato do Burgo Futebol Clube. Foi um orgulho muito grande estar em terras gaulesas a ouvir a vitória da nossa equipa”.
-“No fundo é este o espírito da rádio”, disse Evaristo, enquanto pedia uma rodada, no café Beiral, onde o futebol foi tema de conversa, para comemorar o Dia Mundial da Telefonia…

JC

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