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Retratos: Pagar

JC - 18/01/2018 - 9:38

A última reunião magna da Brigada do Reumático foi fria, que o aquecimento do salão nobre da sede social estava desligado (os associados foram aconselhados a levar mantinhas, uma medida inovadora que ao que consta até já chegou a algumas instalações do parque escolar do Burgo cujo aquecimento não entra em todas as salas), e ao mesmo tempo quente, devido às intervenções dos associados da BR.
Anastácio, reumático desde há 20 anos, adepto do Laranjal desde o fim da ditadura, foi o primeiro a usar da palavra, para criticar o aumento das portagens na autoestrada do Burgo. - “Então diziam que agora é que era, que todos estavam solidários com o interior da Nação Lusitana, que as portagens iriam baixar e que tudo seria um mar de rosas, mas, ao que parece, temos é que pagar mais para os bolsos dos castelhanos! Sim porque ao que se diz a empresa agora é de «nuestros hermanos», e uma das decisões que já tomou foi a de desinvestir na região!”, argumentou.
- “Pois sim...”, respondeu Juvenal, membro do Roseiral há cerca de 40 anos. - “Quem colocou as portagens foi o governo do Laranjal e dos Populistas e agora vêm aqui dizer que não têm nada com isso!”, disse.
A reunião prosseguiu com troca de galhardetes, mas com a aprovação, por unanimidade, de uma carta a enviar ao ministro das Obras Lusitanas, para que as portagens na autoestrada do Burgo sejam abolidas, pelo menos para os residentes e para as empresas aqui instaladas. 
-“Esta é uma carta que vai registada e com aviso de receção”, justificou Godofredo, secretário geral da BR, que de imediato reafirmou os pontos principais da missiva, os quais passam pela abolição das portagens, pela diminuição de imposto para as empresas sediadas e com funcionários na área metropolitana do Burgo, a abertura do processo da construção da Barragem do Aflito e de uma outra no centro do mundo, a construção de uma cadeia nova para o Burgo - que o atual governo seguiu o exemplo do anterior da sua não construção - e a construção da via do 31 entre o Burgo e Castella.
- “Isto sim se chama defender o interior”, disse Jeremias no final da reunião, após a qual se seguiu um momento de convívio entre os associados no já habitual jantar de ano novo, promovido pela unidade de missão de defesa dos associados da Brigada do Reumático, cujo dinamismo é inquestionável…
JC

 

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