Na esplanada do café Beiral a conversa subiu de tom, com os decibéis a atingirem a mesa colocada na ponta direita da esplanada. -“Como dizia a outra rábula: falam, falam, mas eu não os vejo a fazer nada”, referia, Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, depois de ler atentamente o Orçamento da Nação Lusitana.
-“Tudo o que era para o Burgo foi cortado”, acrescentou Baubino, roseirista há 50 anos, com 75 nascidos e criados no Burgo. –“Noutros tempos palavra dada era palavra honrada. E quando se faltava aos compromissos havia muros pintados com palavras de ordem e gente na rua a protestar. Ainda me lembro de uma vez que queriam deitar a abaixo uma proposta de valorização do proletariado. Houve logo comédia!”, acrescentou.
-“Os tempos são outros”, lamentou Godofredo, secretário-geral da BR, que ainda recorda com saudade uma famosa manifestação contra o esquecimento do Pai Estado para com a área metropolitana do Burgo. -“Juntaram-se camaradas e companheiros, da esquerda e da direita, e defenderam a região, com palavras de ordem que chegaram à Kapital”, insistiu, dando como exemplo as expressões vocalizadas em megafone a pilhas: “Está na hora, está na hora, de os mandarmos embora!”.
A conversa subiu de tom, quando Nobita, adepto do Laranjal e contemporâneo de Baubino, decidiu intervir. -“A culpa é do roseiral que não quis avançar com a obra. Agora acusa o governo Laranjo-populista de não inscrever a Estrada do 31 no Orçamento da Nação Lusitana. É preciso descaramento! Não há dinheiro para 2027, mas haverá para 2028. Temos que acreditar!”, reforçou.
-“É como o Tribunal, a Barragem do Aflito e a Grande Casa de Saúde do Burgo. Dinheiro cabimentado nem vê-lo!”, respondeu Baubino, para quem os responsáveis do Laranjal, em vez de pressionarem os seus pares no governo lusitano, preferem a lógica do passa-culpas.
-“Infelizmente são estes os políticos que nos defendem. Quando está um partido no Governo acusam o outro, e vice-versa. Em vez de estarem todos unidos no mesmo propósito de defender o Burgo, optam por defender a sua dama acusando-se uns aos outros. E quando é assim, o caciquismo reforça-se e o Pai Estado vai ignorando quem por aqui vive. E ainda vão dizer que a culpa é dos jornalistas”, concluiu Jeremias.