Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, decidiu propor aos sócios da BR, a aprovação de uma carta ao Ministro das Causas Ambientais e das Águas que vêm de Castella ou que Nascem por Cá. -“É importante que se diga que no Burgo andamos todos indignados. Primeiro cortaram-nos a água e secaram-nos o rio, e o ministro disse que não foi bem assim. Agora enchem-nos o Rio Tonsul de algas verdes que podem provocar a sua própria morte”, disse o responsável máximo da Brigada, em videoconferência com o Conselho Consultivo da associação que criou vai para quase 30 anos.
-“Concordamos com a ideia da carta e entendemos que a mesma deve ser tornada pública na comunicação social. Já tivemos prejuízos suficientes no último verão, que o ministro diz não terem existido, e agora é isto. Parece que têm medo da malta do outro lado da fronteira. Mas esquecem-se que os que aqui moramos, num e noutro lado do rio, querem a água limpa e no verão querem água no leito”, disse Juvenal, membro do dito conselho.
-“Ainda por cima gozam connosco. Ah… coisa e tal, isto não é nada de grave… a água está verde porque as algas são dessa cor”, disse Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da Brigada. -“São umas algas santas, que não fazem mal a uma mosca”, ironizou Godofredo, o secretário geral da BR, que no verão passado foi um dos últimos passageiros a fazer a viagem no Barco Del Tajo, onde até tirou uma fotografia disfarçado de comandante.
Perante a decisão, unânime, do Conselho Consultivo, Jeremias apresentou as ideias chave que a dita carta deveria abordar: “a poluição dos rios; o não cumprimento das convenções da água; a garantia de que não vai voltar a faltar água no verão, numa altura em que o Tonsul quer dar mostras de ter menos água que o habitual; e a limpeza das algas do rio”.
A proposta foi aceite e a carta seguiu via Correios Lusitanos, com aviso de recepção, não fosse alguém dizer que não chegou. -“Agora resta-nos esperar pela resposta, que pelo que me parece vai ser qualquer coisa redonda, qual música de violino…”, concluiu Godofredo, que ainda assim tem esperanças da limpeza mecânica das algas e também acredita “no Pai Natal”…