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Retratos: Palavra

JC - 29/12/2022 - 10:35

A última magna reunião do Burgo durou quatro horas e alguns minutos numa maratona, que no entender do presidente da Brigada do Reumático, faz lembrar a corrida de S. Silvestre, tal o caminho trilhado pelas diferentes forças políticas presentes. - “À semelhança de anos anteriores, esta assembleia foi demorada e acabou por aprovar o orçamento do Condado, após muita discussão”, explicou o líder da BR.
No salão nobre da Villa, desta vez com cadeiras suficientes para quem quis assistir ou precisou de trabalhar, Josefino, antigo vermelhista convertido à independência, referia para Anastácio, adepto confesso do Roseiral, que o regimento não estava a ser cumprido.“O tempo utilizado pelo presidente do Condado para responder às perguntas dos diferentes deputados excedeu os 15 minutos regulamentares!”, disse. 
O pensamento de Josefino foi defendido pelo Infinito. Mas ainda antes do líder dessa bancada condadal intervir, o presidente da Reunião, tratou de explicar que esse tempo pode ser prolongado se for seu entendimento que há matérias para explicar. 
- “Durante três ou quatro minutos discutiu-se se o presidente deveria ou não ter respondido a todas as questões, ou se lhe deveriam ter cortado a palavra. É algo novo e diferente que nunca tínhamos assistido numa reunião Magna do Condado”, referiu Jeremias, para quem o regimento permite questionar isso mesmo.
- “Durante mais de uma hora os deputados questionam o Condado sobre diferentes matérias. E para responder, apenas lhe concedem 15 minutos. De facto nunca tinha reparado nesse pormenor. Mas é o que dizem as regras da democracia”, acrescentou Godofredo, o secretário-geral da BR, que acompanha este tipo de reunião há mais de 20 anos. 
- “Eu sou do tempo em que a discussão passava por saber se o presidente do Condado em exercício poderia ou não utilizar a viatura do município fora da hora de serviço. Eram as chamadas discussões motorizadas. Mas estas são mais profundas. São as discussões da palavra, na casa... da palavra”, prosseguiu Godofredo, que para evitar novas conversas sugere que se crie o VAR – Verificação Anotada do Regimento, agora que até transmitem a reunião na internet.
- “É uma boa sugestão, mas o mais importante é garantir que todos possam ter o direito à dita de forma eficaz. Eliminando, em cada intervenção, os cumprimentos a todos os presentes. Só aí poupavam-se muitos minutos, e sobrava tempo para a palavra de cada um...”, concluiu Jeremias.
JC

 

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