Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, sabe que, a cada 13 de maio, o Jornalão do Burgo assinala mais um aniversário. – “É assim há 77 anos. O meu pai contava-me que o meu avô foi dos primeiros colaboradores. E que tempos eram aqueles, em que os caracteres de chumbo transcreviam as palavras para impressão”, disse o líder da BR, enquanto folheava a última edição.
- “É verdade. O tempo voa. Recordo muito bem o barulho das máquinas na velhinha casa atrás da Sé. Como também me lembro das dobragens à mão, que o jornal era impresso folha a folha”, disse Godofredo, secretário-geral da BR.
- “E do Retratos?”, questionou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR, que tem na memória as primeiras crónicas em que se transformaram personagens.
- “Aquilo foi um alvoraço, até fotocópias circulavam das ditas, numa espécie de rede social à moda antiga. Depressa passámos a ter uma intervenção cívica, com humor, ironia e algum sarcasmo. E são tantas as histórias destes 25 anos a contar o Burgo”, acrescentou Jeremias.
- “O mais engraçado é que, se por um lado houve quem não gostasse e até fizesse queixa às hierarquias, por outro houve quem incentivasse a que continuássemos, mesmo sendo visados”, explicou Godofredo.
- “Pois, uns tentam eliminar a Brigada do Reumático do Jornalão do Burgo, outros procuram iluminar-nos neste nosso caminho”, retorquiu Evaristo.
- “A diferença de duas letras...”, disse Jeremias.
- “Se fosse só isso... falamos de algo mais do que do alfabeto. E todos sabemos o que está em causa...”, concluiu Godofredo, enquanto brindava ao 77 do Jornalão do Burgo, que a crónica desta semana é de homenagem a todos quantos fazem parte do semanário, jornalistas, funcionários, parceiros e, acima de tudo, aos leitores...
JC