No Bairro do Cansaço, um dos históricos da Villa do Burgo, Anastácio, 85 anos, nascidos e criados na Alameda, aguardava a chegada da comitiva do Governo Lusitano para a inauguração de um espaço onde já fizeram roupas e agora se faz arte. - “O calor é que é pior”, referia para Nortadas, que apesar de ter menos dois anos de idade, foi colega de carteira de Anastácio no tempo em que passar de ano escolar era uma arte.
- “Temos que evoluir”, disse, para de imediato passar a assuntos mais sérios, como as listas de candidatos ao Parlamento Nacional que vão sendo divulgadas pelos partidos. - “O Roseiral manteve os primeiros dois lugares e mudou o resto, mas diz-se que o Laranjal vai aparecer com gente nova”, referia Anastácio, cuja filiação vermelhista vem do tempo de operário e sindicalista.
- “Isto das listas é um processo complexo, onde o que é hoje amanhã pode não o ser. Até à aprovação final dos nomes, muita água corre por baixo das pontes”, explicou Nortadas, que nos seus tempos de militância no Laranjal recorda reuniões épicas, onde o que se debatia eram as ideias e os lugares, num ambiente intenso e desafiador.
- “O problema é a falta de gente. E isso traduz-se numa perda dos nossos nos lugares de decisão. Já somos poucos e, volta e meia, ainda vêm pessoas de fora para serem eleitas por cá”, disse Anastácio, que não perdeu tempo a entrar na renovada fábrica para assistir à inauguração.
- “Aqui é que se está bem, está fresquinho”, salientou Nortadas, que dias antes se fizera sócio da Brigada do Reumático. - “Temos que ser inovadores e por isso fiz-me associado da BR, com o desejo de aqui também poder vir a desenvolver um projeto criativo que tenho desde muito novo”, justificou.
- “E da nossa parte terá todo o apoio”, garantiu Jeremias, o presidente vitalício da BR, que com o seu secretário geral, Godofredo, e o líder do Conselho Fiscal, Evaristo, estão ansiosos por propor ao Condado a ideia de Nortadas, segundo o qual será uma pedrada na arte do Burgo…
JC