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Retratos: Portagens com maranho

JC - 27/02/2020 - 9:59

Na Villa, o anúncio da redução das portagens na Autoestrada do Burgo, anunciada pela ministra que tutela as coisas do interior, deixou baralhados os burguenses, estupefactos com tamanhos benefícios. - “A partir do sétimo dia vamos passar a ter descontos”, disse Minervino, 60 anos nascidos e criados no bairro do Castelo, e que usa aquela via para ir ver a família, no outro lado da serra. - “Ainda ontem telefonei à minha prima Deodata a informá-la que só irei a partir do oitavo dia do mês, que é quando é mais barato. Ao que ela me respondeu, que virá no 28º, momento em que os descontos ainda são maiores!”, disse.
- “Mas o que percebi é que os descontos não são a partir do sétimo dia de cada mês, mas sim a partir do sétimo dia em que se efetuaram viagens na referida via!”, explicou Inocêncio, que também não utiliza a referida via em mais do que cinco dias diferentes.
A conversa entre os dois novos sócios da Brigada do Reumático decorria na tarde de terça-feira, dia de Carnaval, enquanto se debatia uma questão gastronómica não menos importante, e que foi levada à TV pelo apresentador da tarde de folia contratado pelo Burgo. - “Afinal o maranho é uma iguaria do Burgo? Ou das villas do pinhal?”, questionava Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, numa afirmação carregada de ironia.
- “Então se o senhor que faz o programa de televisão diz que são do Burgo é porque foi investigar. Na Kapital ser-se do Burgo, ou ser-se da Villa Centro do Pinhal, é a mesma coisa. Numa perspetiva centralista tudo fica lá na terrinha onde até nos contratam para dizermos uma coisas engaçadas”, retorquiu Godofredo, secretário geral da BR. 
Perante este cenário, a grande dúvida será se as portagens vão ser mais baratas quando os burguenses se quiserem deslocar às verdadeiras terras do maranho, para degustar o dito. - “Das duas uma, ou vamos lá mais do que em sete dias diferentes e temos desconto no oitavo, ou então mais vale ficar cá pelo Burgo onde, ao que parece, o maranho também é prato regional”, questionou Godofredo.
- “Eu acho que estamos todos a ver a questão ao contrário. A redução e a abolição das portagens, da forma como foi apresentada é uma coisa tão boa, mas tão boa para a área metropolitana do Burgo, que só com inteligência superior se consegue perceber. E os maranhos são tão bons, tão bons, que o Burgo não se importava de os ter como prato original. Mas por cá sempre se pode degustar o borrego, o cabrito e as «feijoquinhas», com a vantagem de não terem que pagar estacionamento à superfície, porque aí o Burgo não é como os diferentes governos. Aqui não se cobra nem um cêntimo e até a boa gastronomia sabe melhor, nem que seja em dia de Carnaval…”.

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