Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, está esperançado que no âmbito dos 125 anos que assinalam a abertura da linha do pouca terra na Área Metropolitana do Burgo, os Comboios Lusitanos voltem a colocar na dita as carruagens inter-villa que retiraram há cerca de cinco anos por uma questão de pirraça política. -“Aquilo foi muito feio, colocaram-nos nos carris as automotoras que andavam nos arredores da Kapital e agora dizem que são muito boas. Aquilo é um martírio, que sempre que penso em ir contemplar o Rio Tajo até ao litoral penso duas vezes”, referia, enquanto tentava decidir se levava ou não o neto mais novo ao Estádio Luminoso, na Kapital através do comboio.
-“O que vale é que a minha cara metade já tem o kit preparado para o inter-villas, o qual é composto por uma almofada por passageiro, para que os tremeliques não se notem tanto, e por um leque, ou abanico como dizem nuestros hermanos”, acrescentou Jeremias.
-”Então mas porque é que tu queres o abanico? Aquilo não tem ar condicionado?”, questionou Godofredo, secretário geral da BR, que ainda recorda com saudade as viagens que fazia até à Kapital nas ditas carruagens confortáveis.
-“É uma espécie de ar condicionado que não tem força. Em dias de calina a sério, transpira-se a valer”, respondeu o presidente da BR.
-“Foi por isso que deixámos de fazer a tradicional viagem de pouca terra até à Kapital com os nossos associados, pois a malta já não tem idade para esse tipo de loucuras”, acrescentou Jeremias.
Apesar das críticas, a Brigada do Reumático considera uma mais valia a existência da Linha do Burgo e até acredita que “no âmbito dos 125 anos as carruagens confortáveis, que foram desviadas para outras linhas, regressem ao Burgo. É tudo uma questão de justiça, não podem existir lusitanos com o serviço inter-villas de primeira e outros com um de segunda”.
-“Seria bom, isso seria e já agora que os horários também fosse adequados às necessidades de quem tem de ir tratar de vida à Kapital, que a linha fez-se para servir o povo e não o contrário”, disse Godofredo, enquanto propunha um brinde aos 125 anos dos ditos caminhos de ferro: “E para o pouca terra, não vai nada, nada, nada????”, cantarolou. -“Tudo”, respondeu Jeremias, para depois bebericar o vinho verde fresquinho que o calor continuava a apertar…