Ainda não será esta semana que Jeremias agendará a reunião da Brigada do Reumático de forma presencial. -“Vamos ver como é que correm as coisas”, argumentou, na conversa diária que mantém por videoconferência com os restantes camaradas e companheiros. -“Agora é que temos que ter cuidado, pois todos os nossos membros são pessoas de risco devido às maleitas que a idade nos trouxe”, justificou.
-“Temos tempo”, disse Godofredo, secretário geral da BR, que se mostra preocupado com as questões ambientais que afetam a região. -“Pior que as algas no Tonsul, que ao que dizem vão agora ser retiradas, está a autorização de funcionamento por mais uns quantos de anos da central Atómica de Albatraz. Isso é que é perigoso. Se aquilo avaria vamos desta para melhor. É pior que o vírus!”, acrescentou.
-“Lá nisso tens razão, ninguém fica para contar a história. E tudo está ligado aos mesmos. Por um lado retiram-nos a água dos rios esvaziando a barragem que produz energia para Castella. Por outro, os mesmos, mantêm em funcionamento uma central atómica que problemas históricos!”, referiu Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
-“E depois ainda nos falam do vírus! Nós, que combatemos em antigos espaços lusitanos na mãe África, nunca pensámos estar a viver situações como estas. Obrigam-nos a estar em casa por causa do corona; metem-nos uma central bomba à porta e ainda nos estragam os nossos rios. Pior do que isso só mesmo o anúncio do Governo em fazer publicidade na comunicação social, numa ajuda clara aos grupos amigos, em que ninguém tenha percebido como é que os valores e as empresas foram escolhidas!”, afirmou jeremias.
-“Publicidade?”, questionou Evaristo.
-“Sim, todos aqueles milhões anunciados vão para meia dúzia. Ao Burgo que se saiba não chegou nada. Ficou tudo na Kapital e no Douro. Se calhar foi porque lá é que houve muitos casos do vírus. Como por cá não houve quase nada, eles lá pensaram que as verbas teriam que ir para as televisões e jornais desses locais…”, respondeu Jeremias.
-“Pois… se calhar foi, mas se calhar não foi. Mas como diz o amigo Godofredo, o filme voltou a repetir-se e ainda por cima com o dinheiro de todos nós…”, concluiu Evaristo.
JC