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Retratos: Regresso

JC - 08/09/2016 - 9:07

Jeremias regressou ao Burgo na semana em que os termómetros atingiram os 50 graus ao sol, levando o presidente da Brigada do Reumático a resguardar-se em casa, não fosse o diabo tecê-las. -”Isto já não é para a minha idade. Foi uma calina daquelas que já não sentia há muito tempo. O que me valeu foram os mergulhos, já ao final da tarde, na piscina praia do Burgo. E até aí a água estava mais quente que nos Allgarves”, referia, já à noite, na esplanada do café Beiral, enquanto contemplava a Sé.
-”Isto de facto há poucas Villas como o Burgo. É uma terra limpa, verde, com gente boa e lugares de estacionamento gratuitos em todo o lado. Nestas férias fiz a Volta em automóvel à Nação Lusitana, e não houve Villa em que não tivesse que pagar a dolorosa só para estacionar a viatura. Foi sempre a pagar que chegou ao ponto de já não ter moedas”, acrescentou o presidente da BR.
-”Pois a mim aconteceu-me igual. Fui a Castella, estacionei e também paguei, porque a moda pegou em todo o lado, menos no Burgo em que podemos estacionar à superfície sem pagar. Mas houve alturas em que não era assim”, retorquiu Godofredo, secretário geral da BR, que nas últimas semanas trocou o quente do Burgo pelo calor tórrido da capital castelhana.
O café foi o pretexto para os dois membros da Brigada do Reumático colocarem a conversa em dia, que isto de estar sempre a telefonar também tem os seus custos. -”Este calor parece o pronúncio do que aí vem, com as eleições para os condados agendadas para o próximo ano”, esclareceu Jeremias, que nas mais de quatro décadas de democracia já viu e ouviu muitas coisas. 
-”Antigamente havia mais nível e respeito. Hoje por vezes perde-se a seriedade só para confundir a opinião pública, com declarações embrulhadas em muito cinismo e aldrabice, mas que soam bem a quem as quer ouvir”, disse Godofredo. Ele que foi dos que lutou pela democracia, que acompanhou o Capitão na revolução de Abril, que colocou cartazes quando era preciso e que agora fica triste quando ouve falar que no tempo do outro senhor é que era bom. -”Se tivessem passado por tudo o que a nossa geração passou, colocavam gindungo na língua, só por dizerem tamanha asneira”, concluiu secretário geral da BR, enquanto bebia mais uma aguinha sem borbulhas.

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