Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, olha com tristeza e revolta o triste cenário dos incêndios lusitanos e as reportagens nas televisões, onde os jornalistas são obrigados a encher chouriços para fazer render o peixe do horário nobre, ou em alternativa dos canais de notícias, que em tempo de férias as ditas escasseiam.
- “Há casos em que a emissão em direto surge com entrevistas a quem está de mangueira na mão a tentar apagar o fogo que se aproxima da sua e das casas dos vizinhos. E o povo em casa aguarda, como se de um filme se tratasse, as perguntas e as respostas: «Então, isto está difícil de apagar? Acha que vai perder a sua casa?» «E os bombeiros ainda não apareceram?»; «Pois, passámos aqui a noite a tentar salvar as nossas coisas e só aqui apareceram duas viaturas, 10 homens e quatro mulheres. Logo não havia paridade!. Se não fossemos nós»”…, exemplificou o presidente da BR.
- “Esses diretos são como uma novela para muitos lusitanos, sobretudo das grandes urbes, onde se pensa que é tudo muito longe e que a desgraça não os afeta”, disse Godofredo, secretário geral da Brigada, que ainda se lembra da história da Dona da Verdade com Contraditório Duvidoso que para fazer os diretos para o seu canal de televisão, chegava a pedir ao comando para colocar a arder qualquer coisinha (na perspetiva da câmara)…”.
- “A questão é que o relato dos factos deve ser rigoroso e não espetacular. Mas o que muitas vezes assistimos é a um espetáculo deplorável, que revolta e deixa triste quem está perto do acontecimento, mas que é visto, por quem está longe do fogo, como se fosse a guerra dos Oligatos lá para as terras dos Czares”, explicou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
- “Neste modelo que a Kapital exige aos jornalistas, em que o que importa é estar o mais tempo possível em direto, entrevistar tudo e todos, arranjar exclusivos e ir para a frente de combate, a que chamam de teatro das operações, o povo é alimentado muitas vezes com o acessório e não com o importante, pois quem paga manda e quem manda assim o quer”, acrescentou Jeremias.
- “É caso para dizer que, muitas vezes, o jornalista sofre e faz sofrer…”, concluiu Godofredo, que ainda hoje gosta de ver a bola mas com o som do relato da rádio…