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Retratos: Roupa

JC - 22/08/2024 - 10:01

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, regressou de férias mais cedo para assistir ao primeiro jogo oficial do Burgo Futebol Clube, a coletividade cuja data de fundação continua a dividir adeptos, mas que ainda assim está em plenas comemorações do seu centenário, num tempo em que o dinheiro escasseia e os apoios do Condado já foram melhores.

-“Em toda a sua história o clube já viveu momentos muito delicados do ponto de vista financeiro. Mas em conjunto com o Condado, as forças vivas da Villa e uma gestão rigorosa soube ultrapassar tudo isso. Houve um campeonato em que a equipa era constituída só por jogadores do Burgo. Vinha apenas um de fora. Ainda me lembro que o mister Veirinho colocou o guarda-redes titular a ponta de lança, tendo este sido o melhor marcador da equipa”, recordou Jeremias, em pleno estádio dos Romeiros.

-“Havia amor à camisola. Hoje parece que o Burgo está afastado do seu mais importante clube desportivo. As finanças estão muito negativas. Os atuais dirigentes fazem o que podem e provavelmente já estão arrependidos de assumir funções, pois não veem nenhuma porta aberta para solucionar tamanha dívida”, disse Godofredo, secretário-geral da BR e antigo atleta da coletividade.

-“Cheguei a jogar à bola e a praticar atletismo. Era outros tempos, mas a paixão mantém-se a mesma. O problema do Burgo Futebol Clube é a falta de dinheiro e de gente no campo. No meio de tudo isto, o Condado fecha-se em copas, como se nada fosse com ele…quando estamos a falar da coletividade desportiva mais representativa da nossa Área Metropolitana”, acrescentou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.

-“Diz que é por causa dos regulamentos de atribuição de subsídios”, afiançou, na bancada central, ao lado dos elementos da Brigada do Reumático, Arquiteto, antigo defesa central do Burgo, no tempo em que as chuteiras tinham travessas.

-“Da outra vez era por causa dos árbitros. E quando propuseram o fim do futebol caiu o carmo e a trindade. A Villa revoltou-se”, explicou Jeremias, que à época viu os sócios e o Condado unidos.

-“Ao que parece, agora, estão todos interessados em dizer mal em vez de ajudar e de procurar encontrar soluções. Depois ficam admirados de não haver farda para os jogadores se equiparem. Valeu a roupa das velhas guardas do clube, caso contrário entravam no jogo em tronco nu…”, lamentou Evaristo.

-“Agora continuem a assobiar para o lado que vai haver um momento em que nem a roupa dos antigos craques vai permitir ao Clube entrar em campo”, concluiu Jeremias, para quem a prioridade deve ser salvar a coletividade…

 

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