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Retratos: Santor

JC - 03/11/2016 - 9:26

Os netos de Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, decidiram ir pedir o santorinho disfarçados com as tradições americanas e inglesas. Mas a frase, típica do Burgo, “dê-me lá um santorinho por alma do seu avozinho” continuou a ser dita à porta de que tinha mais de 60 anos. -”Às outras pessoas inovaram com o dito «doçura ou travessura» que é aquilo que a televisão lhes ensina e a escola também”, explicou o responsável da BR, que ainda recorda bem os seus tempos de criança.
-”Passávamos pelas grandes casas agrícolas e além de rebuçados, poucos, davam-nos muita fruta. Era um regalo para a toda a família. E já pré-adolescente, fazia uma seleção apurada dos locais a visitar. Nunca falhava e durante uma semana havia maçãs biológicas para todos”, acrescentou Jeremias.
-”Pois para mim era uma alegria. Corria as ruas do castelo e cada um dava o pouco que tinha”, referia Godofredo, o secretário geral da Brigada. -”Mesmo de pé descalço não havia pedras que nos magoassem. Era um dia muito diferente. E na escola até nos ensinavam o valor do santorinho. Mas para nós o importante era aquilo que conseguíamos levar para casa e os doces que metíamos à boca. Houve um dia que até parti um dente, de leite, com um rebuçado que já pertencia à época anterior. Calei-me bem caladinho, evitando assim um caldinho do meu pai, que Deus tem”, explicou.
-”Agora a malta adaptou-se aos novos costumes. Mas é sempre bom ver os mais novos a tocar às campainhas. A pedido do meu neto até comprei umas gomas coloridas e todos os que bateram à porta provaram das ditas”, acrescentou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
A conversa prosseguiu, no café Beiral, onde por “alma de todos os avozinhos foi servida uma rodada de jeropiga, da nova, e umas castanhas assadas”... A tradição cumpriu-se.

 

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