O polícia sinaleiro voltou ao Burgo para organizar o trânsito da Villa, todas as segundas-feiras de manhã. - “Até o chapéu tinha”, referia Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, que durante anos assistiu a excelentes atuações de quem, na época, exercia àquelas funções. - “Até tinham um pequeno palanque, na esquina da sede do laranjal!”, acrescentava o responsável máximo da BR, que a meio da tarde usufruía de um momento de final de verão na esplanada do café Beiral.
- “E na altura todo o trânsito passava pelo centro do Burgo. Até os camiões carregados de madeira para a fábrica de Vila Velha à Roda. Hoje, após as variantes construídas no tempo de Perfeito, só ali passa quem precisa”, retorquia Godofredo, secretário geral da BR, que nos idos anos 80, degustava uma bebida fresquinha com o polícia sinaleiro de serviço (no intervalo do serviço) num dos cafés ali existentes. - “Depois de três horas a dar aos braços e ao apito, havia que descansar um pouco”, justificava Godofredo.
Gongas, neto de Jeremias, hoje com 14 anos, nunca viu nenhum polícia sinaleiro em serviço. -“Só nos filmes antigos”, justificava, enquanto explicava ao avô que na sua cidade virtual do jogo da consola também vai colocar polícias sinaleiros com chapéu e apitos.
A medida também foi aplaudida por Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da Brigada do Reumático, sobretudo porque passa junto ao Cine Burgo todos os dias de manhã. - “Até lá devia estar diariamente que, entre as 8 e as 9 horas, o trânsito já entope”, justificava, enquanto sublinhava o facto do Burgo aliar a modernidade à tradição…
JC