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Retratos: Sino

JC - 28/02/2019 - 9:16

Nas Dokas fala-se na bancada para o Carnaval que, no andar de cima do dito espaço, foi colocada recentemente. Ernestinho, 90 anos, ainda chegou a tocar o sino da Torre do Relógio quando em criança quis brincar aos disfarces. Mas, a coisa correu-lhe mal e acabou na esquadra com os colegas da escola primária, regressando a casa com a perspetiva de uma grande carga de porrada, que o seu pai gostava de impor respeito à lei da paulada. 
- “Hoje, quando vejo a alegria dos mais novos a desfilarem na cidade, até me vêm as lágrimas aos olhos que as cataratas quase cegaram”, revelou o burguense, numa das esplanadas das Dokas, enquanto degustava o café da manhã.
A conversa em torno do Carnaval prosseguiu. Na mesa de Ernestinho que nasceu e viveu no Bairro do Castelo, o mais antigo do Burgo, juntaram-se Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, Godofredo, secretário geral da mesma agremiação, e Evaristo, o homem que comanda as contas da coletividade. - “Pois eu em criança também brincava muito ao Carnaval e, mais tarde, já homem, gozei muitos feriados de terça-feira”, disse o líder da BR.
- “Eu recordo bem aquele episódio em que a Brigada do Reumático participou no desfile”, disse Evaristo, para depois acrescentar: “se soubesse que havia bancada, este ano também tínhamos ido”.
Agora, a questão é guardar lugar na dita bancada. - “Temos que ir cedo”, anunciou Godofredo, que desta vez vai assistir ao desfile em vez de ir ao futebol. - “O meu neto mais novo não me larga e, pronto, em vez de ver uns chutos na bola, vamos assistir ao desfile e às mensagens que por lá vão aparecer”, explicou.
A conversa prosseguiu até à hora de almoço. Ernestinho prometeu marcar presença no domingo e, com 45 anos em cada uma das pernas, garante estar pronto para tocar o sino, daqueles de brincar, que o bisneto já tem guardado em casa…

JC

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