No Burgo as rotundas sempre tiveram um lugar de destaque no panorama eleitoral do condado. - “É ali que se expressam os candidatos e que aparecem as fotografias com e sem gravata”, explica Elias, especialista e investigador da Brigada do Reumático em rotundas e em comunicação partidária. - “Os dados não mentem. Uma imagem numa rotunda vale mais que seis retratos numa reta”, explicou.
- “E os últimos anos revelam que os candidatos que se colocaram nas rotundas do Burgo ganharam”, insistiu Elias, que estudou com afinco o fenómeno.
- “Mas eles todos colocam cartazes nas ditas!”, respondeu Jeremias, presidente vitalício da Brigada do Reumático, como que a contestar a investigação não científica do camarada Elias.
- “Estás precisamente a confirmar a minha teoria. Todos os presidentes eleitos colocaram outdoors nas rotundas. Portanto, as rotundas têm um poder imenso sobre a decisão final das pessoas. Reparem que as grandes cadeias de hambúrgueres colocam os seus estabelecimentos junto às rotundas. Eu até diria que se não houvesse rotundas, não havia nada disso”, justificou Elias.
- “Quer dizer que se não houvesse rotundas, não tínhamos presidente?”, perguntou Godofredo, secretário-geral da BR, já sem paciência para tamanhas complexidades.
- “Ter, tínhamos, mas não seria um presidente eleito com cartazes colocados nas ditas. Daí a importância das rotundas”, reforçou Elias.
- “Espera pela campanha e logo vês como é que elas mordem!”, concluiu Jeremias, consciente que no Burgo os candidatos vão ter em conta as rotundas, mas também as retas, as curvas, as subidas, as descidas, as festas, as romarias e... quem sabe o porco no espeto em voga noutros campeonatos, fenómeno também ele estudado pelo amigo Elias e publicado na sua dissertação “A importância da febra na brasa no voto popular e da elite: o segredo está no tempero”...