Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, dizia na brincadeira que colhia a azeitona em agosto. - “Era uma maneira de afirmar que não tinha oliveiras”, explicava, enquanto degustava, na passada segunda-feira, o café da manhã, numa das esplanadas das Dokas.
- “A questão é que da maneira que está o tempo, qualquer dia apanha-se a azeitona com o calor de verão. Falta um mês para a época da galeguinha e estão temperaturas tão altas que apetece é ir para a piscina”, referia Godofredo, secretário-geral da BR, que todos os anos se dedica à colheita das ditas para retalhar.
- “E olha que as do ano passado eram boas”, acrescentou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da Brigada, que tem nas tibornadas um dos seus pratos favoritos. - “Com um bom azeite e uma boa pinga até nos aquece a alma. Mas com o calor não apetece nada essa iguaria”, reforçou.
- “O problema é que o buraco do ozónio está a aumentar”, disse, na mesa do lado, Felismina, que com os ouvidos que Deus lhe deu ouve muitas vezes aquilo que não quer. - “Ainda ontem estava a dar um programa na televisão sobre o dito. E eu pensei: o que tem aumentado é o buraco da minha carteira. Com o aumento das taxas de juro impostos pela senhora Lagarta tenho que apoiar o meu filho no pagamento da prestação da casa”, justificou.
- “Pois essa senhora quando mandava no Fundo Mundial só queria era austeridade. E agora mantém a mesma lógica. Ela fala de barriga cheia e devia ir-se embora. Aquele senhor italiano, o Gragui, é que fez muito por nós quando mandou nas finanças do velho continente”, explicava Efigénia, que na mesa de Felismina, também decidiu entrar na conversa.
- “Lá isso é verdade”, sublinhou Jeremias, enquanto recordava a frase de um antigo ministro lusitano: “é tempo de apertar o cinto…”.
- “E quando não houver cinto para apertar, puxam-se os suspensórios que o tempo não está para brincadeiras…”, concluiu Godofredo, esperançado na diminuição das temperaturas para que a apanha da azeitona não custe tanto… e a burocracia no Burgo seja ultrapassada.
JC