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Retratos: Tempo

JC - 27/06/2024 - 9:23

De um momento para o outro o Covídeo voltou a atacar em força, deixando de rastos muitos burguenses. - “Nem consegui ir ao Rali do Burgo. Fiquei com uma febre tão alta que sonhei com as muitas obras que estão em fase de conclusão no Condado e, outras, emblemáticas já ao dispor da comunidade”, disse Jeremias, presidente da Brigada do Reumático.
- “Acordei a pensar que estava na suite da BR no novo Hotel de Turismo do Burgo”, acrescentou Jeremias, que por uma questão de respeito com a comunidade, decidiu beber um café virtual com os seus amigos Godofredo (secretário-geral da BR) e Evaristo (presidente do Conselho Geral).
- “Então e hotel era bom?”, questionou Evaristo.
- “Era, a água vinha da barragem do Centro do Mundo, e tinha uma sala dedicada à Escuderia do Burgo, pois foi ali que nasceu o clube. Fiquei com pena de não conhecer mais o espaço, sobretudo a ligação ao imóvel onde funcionou o banco do povo. Mas acordei e… caí na realidade terrena de que nem ao rali pôde ir”, respondeu.
- “Tivemos que comer nós a bucha que levámos para a prova. Mas olha que no domingo eu também acreditei que estava a estacionar a minha viatura, já com 20 anos, mas com pintura de origem, no parque subterrâneo das Dokas totalmente requalificado, limpo das estalactites e com a possibilidade de pagamento com a Via Burgo, aquela em que dá para circular nas auto-estradas. Mas afinal era apenas um sonho enfebrado da sesta da tarde”, retorquiu Godofredo.
- “ Eu cá também sonhei… estava a passear com a minha Dolmira no novo jardim floral, no piso superior das Dokas…”, sublinhou Evaristo.
- “Mas tiveste Covídeo?”, questionou Jeremias.
- “Não, mas a minha Dolmira não quis ir ver o dito espaço, devido ao calor…”, esclareceu Evaristo.
- “Antes assim, porque a malta quando tem Covídeo às vezes tem com cada sonho”, reforçou Godofredo.
- “É um problema este maldito tempo em que vivemos, onde o imaginário que desejamos real surge associado à pandemia que nos deu cabo da cabeça nos últimos anos, e que agora nos faz sonhar… maldito Covídeo!”, concluiu Jeremias.
JC
 

 

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