De repente o neto de Jeremias interrompeu a conversa que o avô estava a ter com a prima Maria. - “Ó avô então a prima também vê o Thomas?!”, perguntou, com os olhos a sorrirem, por ter alguém mais velho que comungava dos mesmos interesses em matéria de desenhos animados.
- “Vê o quê, Becas?”, questionou o presidente da Brigada do Reumático, que mantinha acesa conversa com a dita filha dos tios sobre a questão das vacinas.
- “O Thomas, o comboio!!!”, respondeu, feliz da vida o pequeno Bequinhas.
- “Mas a que propósito é que vem isso?”, retorquiu Jeremias.
- “Tu estavas a falar em tomas…”, disse o pequeno Becas, meio confuso, quase tão confuso como a política que graça no Burgo.
- “Eu não estava a falar do comboio Thomas, estava a discutir as tomas das vacinas contra o vírus corona”, esclareceu Jeremias.
A conversa prosseguiu sem que o pequeno Becas percebesse muito bem o que é que o comboio dos bonecos animados tinha a ver com as vacinas. -“Ah já sei!! as vacinas vêm de pouca terra? É isso, não é avô?”, insistiu.
- “O problema”, disse Jeremias, “não é elas virem de comboio, de carro ou de avião. O problema é que não há vacinas para entrega e agora ainda dizem que um em cada 18 milhões de pessoas pode sofrer efeitos adversos graves. Mas cá para mim, o problema é mesmo a falta delas. E como não há… Por isso eu perguntava à prima Maria: Quando é que a tomas?… e tu pensaste nos bonecos…”, reforçou o presidente da Brigada do Reumático.
- “Isto quando se misturam nomes com verbos e ainda por cima faltam vacinas é um problema”, concluiu o pequeno Becas que, pelo sim pelo não, assim lá foi dizendo ao avô e à prima Maria para usarem “máscara e lavarem bem as mãozinhas”, sugerindo o novo episódio do comboio Thomas. “Sempre é melhor que estarmos a ouvir as mesmas notícias do ‘covídeo’, do julgamento e da política, que a televisão não diz mais nada…”, concluiu.
JC