Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, assistiu ao tocar da campainha na antiga Grande Casa do Governo no Burgo, aquela que o Laranjal encerrou, que o Condado comprou, e que o Roseiral agora quer reabrir com a nova Secretaria da Nação Lusitana para as Terras Como a Nossa. - “Olha! afinal não está lá ninguém! É que nem aparece vivalma à janela. Pelos vistos disseram que vinham para cá mas não vieram. Estão a enganar os burguenses é o que é”, referiu Deputado, responsável máximo pelo Laranjal na Área Metropolitana do Burgo.
O número, político, foi preparado para os jornalistas assistirem. O guião envolveu o toque de campainha, o bater à porta, não fosse a dita estar avariada, e o olhar sério e estupefacto para as janelas do edifício, terminando com um “não está cá ninguém! Onde para o senhor secretário da Nação Lusitana?”.
Jeremias ainda pensou tratar-se de um sketch humorístico, mas verificou que não. - “A questão é política, pois ao que parece o ministério que tutela a Secretaria da Nação Lusitana para as Terras Como a Nossa armou-se em Correios Lusitanos e atrasou a correspondência. Conclusão, o Laranjal veio tocar à porta para demonstrar que aquele organismo afinal não veio para o Burgo. Só que já toda a gente sabia que ele virá para o Burgo em janeiro!”, explicou o presidente da Brigada do Reumático.
- “Então foi um número político?”, perguntou Godofredo, secretário geral da BR, enquanto degustava uma jeropiga caseira por causa da rouquidão.
- “Sim, com algum humor, há que dizê-lo. De resto, o Laranjal parece ter uma forte atração pela antiga Grande Casa do Governo no Burgo. Já ali fizeram outra conferência a reclamar por um hotel de charme e até em curtas metragens o edifício apareceu como fundo”, disse Jeremias.
- “Pois eu sei bem como é que resolvia o caso. Se me saísse o eurolimões, comprava do edifício ao Condado e ia para lá viver com a minha Maria. Isso é que era falar, e depois se me tocassem à campainha lá estaria para abrir a porta aos amigos…”, concluiu Godofredo.
JC