Jeremias, com os seus camaradas e companheiros da Brigada do Reumático, cumpriu o acordado e juntos fizeram uma romaria do Burgo através das novas tecnologias. Viram a missa no site do Jornalão do Burgo, e degustaram as iguarias, próprias da ocasião, na casa de cada um.
-“Só as sardinhas assadas foram diferentes”, explicava Jeremias, ao telefone para o primo Juvenal, emigrado em terras gaulesas e impedido de vir ao Burgo pelo vírus maldito. O presidente da Brigada do Reumático pôs em prática uma logística familiar que permitiu o intercâmbio de produtos entre a sua família, a de Godofredo (secretário geral da BR) e de Evaristo (presidente do Conselho Fiscal da BR).
Deste modo, a comunidade reumática do Burgo cumpriu a tradição. Da casa de Godofredo saíram os ovos verdes e os pasteis de bacalhau. Da residência de Evaristo vieram os bifes panados, a morcela cozida e as pataniscas de bacalhau; na de Jeremias foram confecionamos os pastéis de carne, os peixinhos da horta, e o frango frito. O primo de Godofredo assumiu as funções de distribuidor ao domicílio, deixando em cada uma das casas, e na sua, um pouco de cada uma das iguarias, mais as sardinhas para assar, os pimentos e os tomates, um camarão da costa que ele próprio cozeu, e claro está a pinga caseira sem água à mistura.
-“Foi uma romaria diferente, mas não deixou de ser boa. Na sala de jantar de cada um, uma pequena câmera de vídeo transmitia o sinal para a degustação virtual. Foi uma festa!”, explicou Jeremias, para quem só faltaram mesmo os carrosséis das girafas.
-“Foi pena não me teres convidado!!”, retorquiu, do outro lado da linha Juvenal, já com água na boca de tanta coisa boa.
-“Foi falta de lembrança, mas o coitado do Zacarias, o primo de Godofredo, não tinha tempo de ir aí e depois fazer a distribuição por cá. No Dia do Trabalhador poderemos ensaiar uma coisa parecida. Já te enviei, por correio, umas chouriças caseiras e um queijo dos que não cheiram bem”, justificou Jeremias, combinando o almoço virtual para o próximo dia 1 de maio, a partir das 13H00 lusitanas, mais uma em terras gaulesas…
Sou professora e fiquei "encalhada" nos algarves à conta desse bicho que aí anda.
Tudo o que sei é através da Reconquista e se não fosse a crónica do Burgo, era incapaz de suportar esta "quinzena renovada" que agora passou a calamidade. Não sei qual é o cataclismo natural que o impôs. Afinal calamidade é para a natureza e não para doenças. Viva a crónica do Burgo, que nos põe tão alegres em tempos tão deprimentes.