Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, recorda os primeiros jogos de futebol no Campo Vale da Romagem, no Burgo. - “Quando era golo as bancadas, de madeira, abanavam tanto que a malta tinha medo. Aquilo era pior do que nos circos”, referia o líder da BR, enquanto degustava uma sandes de atum na Tasca da Bola, mesmo em frente ao dito estádio.
- “Tens que provar as de bacalhau frito”, acrescentava Jeremias, dirigindo-se ao neto mais novo que, não gostando de peixe, delicia-se com uma boa posta do dito, demolhado e panado.
- “Então venha de lá essa sandes e um sumo de carica que é dos que eu gosto”, respondeu Becas que nos tempos em que ia ao futebol alertava o árbitro para os erros com uma expressão muito sua: “O senhor árbitro não está a ser imparcial”, contrastando com o resto da rapaziada que batizava a mãe do juiz com nomes pouco dignos para as senhoras honradas.
- “Agora que estou a olhar para o campo, são tantas as memórias e os bons momentos que ali passámos. Numa delas fomos todos para a esquadra, devido à invasão de campo a fim de terminar com uma má arbitragem de Evo”, disse Godofredo, secretário-geral da BR.
- “Então, também o assoaram?”, perguntou Becas.
- “Nada disso, nós é que o conseguimos tirar do campo e evitar males piores. Mas a guarda não conseguiu identificar mais ninguém e como estávamos junto do árbitro fomos nós que acabámos na esquadra. Valeu o facto de Evo, ao contrário do que aconteceu no jogo, ser honesto da história das agressões.
- “E aqueles jogos bem rasgadinhos perante a Villa Serra e a Villa Cains?! Até davam faísca!!”, lembrou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
- “Bons tempos”, insistiu Jeremias, que lamenta o facto de o Burgo Futebol Club não disputar campeonatos mais importantes e não ter mais gente nas bancadas a assistir aos seus jogos.
- “Ainda me recordo de um treinador que por aqui passou e que sempre que a equipa estava em apuros defensivos, gritava para dentro do campo: bola para a vinha! E um dos centralões chutava o esférico para a quinta situada atrás do peão, onde das uvas se fazia o néctar dos deuses. A expressão ganhou moda e nas bancadas, sempre que o perigo aparecia, lá gritavam: bola para a vinha… era uma espécie de paragem tática, pois o esférico substituto demorava tempo a aparecer…”, conclui Godofredo.