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Retratos: Volta&Vuelta Lda

JC - 30/07/2026 - 9:00

- “Oh avô é agora que vamos ter os brindes da caravana da Volta Lusitana em Kinga?”, perguntava entusiasmado Guingas, com os seus 8 anos e a ilusão de que o Burgo era uma das capitais da bicicleta.

- “Ainda não li nada sobre isso. Mas temo que este ano, tal como no anterior e quem sabe nos próximos, não vamos ter a caravana da Volta no Burgo”, disse, Gervásio, antigo ciclista amador, com residência fixa na Villa.

- “Mas porquê avô? O primo Osvando disse-me que a Volta fazia parte do calendário desportivo da Villa e que a organização sempre teve o Burgo como parceiro”, respondeu Alsa, irmã de Guingas, que nessa tarde aproveitava a piscina-praia para uns mergulhos, na companhia da família.

- “Isso é por causa da Vuelta!”, argumentou Pintas, pai de Guingas e Alsa, conhecido pela sua frontalidade, fruto da carreira militar exercida com distinção.

- “Da Vuelta?”, questionaram em uníssono os dois jovens, enquanto recordavam as emissões televisivas de propaganda ao Burgo e às suas coisas boas.

- “Não, isso é tudo retórica, estimado Pintas. Não me passa pela cabeça que no ano da Vuelta o Burgo tenha deixado na mão a organização Lusitana, dizendo-lhe que no ano em causa o investimento iria para os castelhanos. Afinal, a Volta já era parceira do Burgo desde que o Roseiral assumiu o Condado”, disse Gervásio.

- “Pois, se calhar foi a organização Lusitana que disse ao Condado: como este ano têm a Vuelta não invistam o vosso dinheiro naquilo que é nacional”, disse Pintas.

- “É por isso que as kingas não vieram no ano passado e também não vêm neste”, referia Alsa, com a ironia dos seus 16 anos.

- “É o que temos. O que vale é que vamos ter uma grande festa no Burgo, pois os burguenses merecem isso e muito mais...”, concluiu Gervásio, justificando a ausência da Brigada do Reumático na crónica, com umas merecidas férias.

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