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Retratos: Compositores

JC - 04/10/2024 - 16:46

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, inscreveu-se mais um ano na Universidade Sénior do Burgo. - “Este ano optei pela disciplina de língua materna. Ainda pensei que pudesse haver alguma aula dedicada à arte de bem comunicar. Eu como gosto tanto de falar, fazia-me bem ter umas luzes de oratória. Mas, também gostava de perceber um pouco mais no modo como nos devemos dirigir à imprensa”, começou por explicar, durante a Semana da Malta Jovem que decorreu na Villa.
- “Acima de tudo devemos ser claros e diretos”, explicou Godofredo, secretário-geral da BR, que nos seus tempos de juventude escreveu muitos artigos para jornais proibidos pela ditadura, mas que fruto da imaginação enganavam a polícia.
A conversa veio a propósito da apresentação do livro ‘Os jovens que fizeram a revolução no Liceu do Burgo’. - “Aquilo foram tempos frenéticos!”, recordou Evaristo, presidente do Conselho Fiscal, que recorda com saudade a irreverência dos mais novos, o modo como eles se aplicavam nos estudos para adiar a ida para a guerra, ou ainda a forma empenhada como pintavam frases nas paredes da Villa.
- “Eram ideais defendidos com unhas e dentes. E na altura ainda nem se falava das alterações climáticas, nem da agricultura biológica ou dos compositores domésticos”, disse Jeremias.
- “Compositores domésticos?”, questionou Evaristo.
- “Sim, daqueles que servem para decompor a matéria orgânica dos restos da comida”, retorquiu Jeremias.
- “Mas isso são compostores!”, esclareceu Godofredo.
- “Mas o convite que recebemos do Condado referia a inauguração dos compositores domésticos”, reforçou Jeremias.
- “Se calhar eram compostores de música sinfónica, eletrónica ou popular. Quem sabe…”, ironizou Evaristo.
- “Essa é pior do que aqueles discursos onde é referido que ‘o evento teve uma grande aderência, pois o recinto estava cheio”, insistiu Godofredo.
- “Ou seja, o evento não derrapou e nos seus espetáculos os músicos interpretaram temas de novos compostores domésticos”, justificou Jeremias.
- “E a festa foi boa, pá! Teve uma grande aderência, que se saiba ninguém caiu! E, quando assim é, só temos que dar graças a quem a fez e sugerir umas aulinhas de língua Lusitana, não vá a malta tentar colocar resíduos domésticos em compositores que não têm culpa nenhuma de escreverem músicas bonitas”…, concluiu Evaristo, já com a máquina fotográfica preparada para tirar uns retratos às folhas de outono.

 

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