Desconfinamento. Esta é a palavra a entrar na nossa vida de todos os dias. Que mais não quer dizer do que uma tentativa de regresso à normalidade, salvaguardando distâncias.
Porque é que desconfinamos? Porque é preciso cuidar dos vivos. É preciso voltar a produzir, voltar a consumir, voltar a viver em comunidade.
Os gabinetes de crise criados nos últimos meses, têm de reorientar rapidamente o seu foco e intervenção. Do cariz assistencialista temos de passar às estratégias de resolução e mitigação de problemas das pessoas, das empresas, das instituições.
Das crises temos de fazer aprendizagens. Intervir nas falhas sociais e económicas que, inevitavelmente, foram identificadas. Construir novas práticas. Resolver as questões que há anos se arrastam.
Os mais precários foram lançados no desemprego, as empresas com situações financeiras difíceis provavelmente não retomaram actividade, o ensino não se revelou igualitário, o isolamento agudizou-se, as vítimas ficaram com mais medo.
De nada serve um período de paragem se nada de novo daí advier. É urgente uma visão multidisciplinar da Sociedade que nos permita construir novas formas de intervir. É necessário juntar a gestão, a política, a intervenção social. O Estado e o Privado, enquanto entidades e enquanto cidadãos, para poder reconstruir.
Não podemos ficar directamente dependentes dos financiamentos e das práticas impostas pela União Europeia e pelo Governo. Cada Região, cada Concelho deve adaptá-las às suas realidades, para que sejam instrumentos de alavancagem das condições de vida dos cidadãos.
Para além de implementar, temos de avaliar os financiamentos que nos forem dirigidos, sabendo escolher e apontar o que não resulta.
Não basta ter boas execuções financeiras, isso só significa que o dinheiro foi gasto. É preciso saber para que foi gasto, com que objectivos e que mais-valias trouxe.
Gasto não é investimento. Investimento gera riqueza que pode ser novamente introduzida no ciclo económico, melhorando a vida de todos.
A despesa e o assistencialismo são a prática mais rápida. A mais imediata. E serão sempre necessários numa base residual. O investimento em pessoas individuais e colectivas pressupõe visão, inteligência e capacidade de intervenção.
«- E se um pobre me pedir comida?
- Dás-lhe comida. Se continuar com fome, dás-lhe mais comida. Quando estiver satisfeito, dás-lhe trabalho».