No meu (fraco) entendimento, os períodos eleitorais são para avaliar o que fizeram, apresentar propostas, analisar e debater, debater, debater. Comunicando com o maior número possível de pessoas. É o meu (fraco) entendimento, pois já por aí acamparam frases de autoelogio e fotografias de poses muito bem iluminadas para português ver. Cumprindo as regras do marquetingue (posso escrever assim?), cultuam a personalidade dos chamados “cabeças-de-lista”, disparam slôganes (também posso?) e, pronto, está feito. O eleitor que se afogue nas águas da superficialidade.
Em contramaré (a ver se pega) avanço com alguns temas. Os partidos gostam que fiquem nos seus alçapões ou em picardias de dize-tu-direi-eu mas, paciência; temos de procurar que mudem. Citando António Salvado, “de tão cansada, a esperança”, mesmo assim, não arde.
Primeiro tema: Proteção Civil; claro. O município albicastrense não possui Serviço Municipal de Proteção Civil, enquanto tal. As funções municipais de proteção civil resumem-se quase exclusivamente à resposta dos bombeiros em socorro ou em combate. Não há filosofia nem matriz orgânica de estudo e prevenção de riscos e vulnerabilidades.
O sistema nacional e os subsistemas municipais de proteção civil possuem uma deformação socorrista que serve a opção de simples reação a acontecimentos adversos. Não há um quadro de ação preventiva por via do conhecimento e prática de correção das vulnerabilidades detetadas e investigadas para cada risco. Falamos nisto há muitos governos mas só consideram o imediato e o mediático.
Nem se aproveitam as valências à mão. A Escola Superior Agrária de Castelo Branco ministra uma licenciatura em Engenharia de Proteção Civil e o seu potencial de conhecimento não é refletido na cultura e prática concelhia e distrital de proteção civil.
Temos de manter bem acesa a exigência cívica de que a catástrofe deste ano, sucedendo às inúmeras ocorridas desde 1990, altere radicalmente a forma como o Estado (autarquias incluídas) e a sociedade encaram o futuro. No caso do município albicastrense, é preciso saber que medidas de defesa da floresta vai aplicar.
Tenho batido muito nesta tecla: as ondas de calor produzem duas frentes de catástrofe: na saúde e na floresta. Desconhecer os impactos na saúde tem como consequência não adotar medidas que diminuam os excedentes de mortalidade e o aumento da morbilidade devidos à exposição ao calor extremo. Na floresta há erros estruturais acumulados; na defesa da saúde há um risco que não querem reconhecer. Não me digam que também vão passar ao lado deste assunto!
Outra acha para reflexão. Como os riscos não distinguem fronteiras administrativas, são necessárias definições e práticas intermunicipais de proteção civil sobretudo na prevenção. A CMCB pertence a uma Comunidade Intermunicipal que não se preocupa com o assunto. Que dizem?
A perspetiva intermunicipal também se impõe quanto aos possíveis efeitos de um acidente nuclear em Almaraz. Por pressão da sociedade, foi finalmente reconhecida pelo Governo a necessidade de que esse risco seja inserido nos planos municipais de emergência de proteção civil. Que dirão os candidatos eleitorais à necessidade de revisão do Plano de Emergência de Proteção Civil de Castelo Branco?
Post Scriptum. Não posso deixar de me referir ao (antigo) colégio de São Fiel, um complexo com tanta história desde o século XIX. Foi abandonado ao que o fogo quis fazer dele. Imperdoável.
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