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Transparência na informação. Melhor comunicação precisa-se

Luis Beato Nunes - 27/09/2018 - 10:43

Não há profissionais infalíveis, ou soluções adequadas a todo o tipo de problemas. Por vezes, é necessário testar novas abordagens e os resultados podem nem sempre ser os esperados.
Seja qual for a área profissional, é necessário comunicar de forma clara e concisa, com o principal objetivo em mente de que o nosso interlocutor nos deve compreender, podendo este avaliar de forma informada as decisões que são tomadas. 
E se não nos conseguimos expressar de modo a esclarecer o nosso interlocutor, então o problema poderá ser que nos encontramos de tal modo atados na linguagem técnica que já nem nós percebemos o que estamos a fazer.       
Um excelente técnico, mas péssimo comunicador, quando falha a primeira vez tem a sua vida profissional para sempre condicionada, porque o único domínio onde era bom, acabou por se revelar igualmente falível, minando a confiança nas suas competências.
Um profissional bom comunicador, quando falha tem outra oportunidade, porque sabe gerir as expetativas dos principais interessados no seu trabalho, seja na saúde, nos tribunais, na restante administração pública ou no sector privado.
Ser um bom comunicador não significa “mentir” ou concordar sempre com as aspirações dos interessados, ou dizer que o problema será tratado quando, na verdade, já se pensa no seu arquivamento.
Comunicar bem significa ser transparente na informação que se partilha e gerir imediatamente as expetativas dos interlocutores de modo a evitar situações inesperadas, ou confrontos esquizofrénicos com a realidade, os quais acabam sempre por ditar a desconfiança que se tem na comunicação.
Se um piloto de avião informa os seus passageiros que tudo está óptimo, quando estes conseguem ver uma das asas da aeronave em chamas, não pode esperar uma reação calma dos passageiros.
No exemplo do parágrafo anterior, o piloto não só mentiu, como também ignorou um problema evidente para todos, não apresentando qualquer solução para controlar ou resolver a situação que, obviamente, não era “óptima”.
O trabalho de um profissional não se reflete apenas no resultado das suas competências técnicas, mas também na sabedoria herdada pelo tempo e na interação não apenas com os restantes colegas da mesma área, mas também com quem beneficia directamente da sua actividade profissional.
Normalmente, as certezas absolutas, ou prognósticos obtusos esbarram, mais tarde ou mais cedo, no descrédito e na desconfiança. A incerteza tornou-se uma variável cada vez mais presente no mundo profissional.
Cada decisão, ação ou reação de uma determinada estratégia desencadeiam um conjunto de decisões, ações ou reações paralelas cujo impacto global na estratégia predefinida é, por vezes, de difícil previsibilidade. 
Há uma expressão muito cara aos economistas que é ceteris paribus, isto é, se “tudo o resto se mantiver constante”. Ou seja, se as exportações crescerem cerca de 13% este ano e se todas as outras variáveis de mantiverem constantes (ceteris paribus), a riqueza nacional poderá crescer 3,9%, por exemplo, uma vez que estas já representam cerca de 30% do PIB.
Em suma, a comunicação deve completar sobremaneira as competências técnicas dos profissionais, uma vez que os seus resultados acabam por ser igualmente avaliados tendo em conta as expetativas que, entretanto, foram geradas pela sua estratégia de comunicação com os clientes, utentes, ou pacientes.   

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