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Um ano de Governo (1): À espera de melhores dias

Florentino Beirão - 27/04/2023 - 9:28

O primeiro-ministro António Costa acabou de completar um ano de Governação, com a sua maioria absoluta. Só que, como o passar dos dias, como se constata, o país tem tardado a arrancar! Se completou um ano de Governo, já pela terceira vez, formou Governo como primeiro-ministro. Rodeado de 120 deputados na Assembleia da República, tudo levava a crer que este novo mandato se cumpriria com uma perna às costas. Mas, pelo contrário, com os “casos e casinhos” e a amizade tensa com o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que têm sido pedras duras que lhe têm dificultado o seu caminhar. O que parecia ser fácil foi-se tornando, cada vez mais espinhoso. Com as sondagens em baixa, PS e PSD já se encontram empatados, António Costa já deu sinais de alerta, para tentar recuperar os dias perdidos.
Este desgaste nas sondagens tem sido acompanhado por um grande movimento de contestação nas ruas, com numerosas greves, em vários sectores da sociedade.
 Como vêm aí as eleições para as europeias em maio de 2024, não pode encontrar o seu Governo e o seu partido distraídos nessa altura, em serviços mínimos. Daí o primeiro-ministro já ter lançado, nas últimas semanas, uma série de iniciativas muito bem consertadas com Marcelo, para aquecer o ambiente eleitoral e colocar os resultados a seu favor. As visitas do seu Governo aos distritos de Castelo Branco, Setúbal e Faro fazem parte de uma estratégia de descentralização, no sentido de aproximação às populações e aos seus problemas. Em cada uma das regiões que foi visitando, deixou importantes iniciativas para, com a sua implementação, tentar resolver alguns dos problemas que se arrastam há anos e não têm tido solução. Na mesma estratégia se incluem ainda os subsídios e os aumentos de ordenados para a função pública, já prometidos, e os avanços com os professores nas rondas de negociações que se têm arrastado há já longos e penosos meses. Têm sido estes o mais prejudicados, com a justa e desgastante luta dos professores.
Com este clima de maior desanuviamento e apaziguamento social, o Governo de António Costa aposta agora na recuperação de vastas camadas sociais que são o seu eleitorado tradicional socialista e moderado. Mas o Governo também deseja ultrapassar a imagem negativa do seu governo uma vez que terá prejudicado os pensionistas na última actualização de reformas e pensões. Por esta razão, tudo vai fazer para que em 2024, tenham um aumento com algum significado, para tentar compensar o poder de compra com que se debate boa parte da população mais esquecida.
A já longa guerra na Ucrânia e a inflação galopante aí estão para baralhar a vida da maior parte das pessoas, nomeadamente as mais pobres. Os apoios sociais prometidos recentemente pelo Governo vão também ser reforçados, devido às bolsas de pobreza que medram no país, atingindo até quem trabalha e recebe um ordenado de miséria.
Vão assim ser dados apoios sociais que englobam subsídios financeiros às pessoas com menores rendimentos e um aumento intercalar de salários e ainda um aumento de subsídio de almoço para a função pública. Acrescente-se ainda o acordo já feito com o sector da distribuição alimentar, para isentar de IVA um robusto cabaz de alimentos, bem como para garantir que estes não vão aumentar as suas margens de lucro. Inclui ainda um conjunto de medidas de apoio aos produtores para baixarem os preços.
Toda esta bateria de medidas, repleta de boas intenções, segundo o Governo de Costa, têm de assegurar o equilíbrio das contas públicas. Um bem precioso a salvaguardar a todo o custo. Note-se que tem sido o cumprimento orçamental que tem permitido usar o aumento da receita fiscal, para distribuir os referidos apoios sociais.
Uma execução orçamental com sucesso, comprovada pelo INE, relativo ao ano de 2022. Neste ano, o défice foi de 0,4% do PIB e a dívida pública baixou de 125%, para 113,9 %.
Com a sua imagem desgastada, António Costa vai, a partir de agora, tentar resgatar o que tem perdido nas sondagens. Perante o ruído da rua, dos comentadores e da oposição, bem como do Presidente da República, saberá o primeiro-ministro dar numa volta a esta situação, para possibilitar aos portugueses uma vida mais esperançosa? A ver vamos. Oxalá se consiga melhorar a vida dos portugueses que esperam dias melhores.


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