Nos últimos tempos, a China tem-se evidenciado no panorama mundial, como tendo pretensões a uma palavra decisiva. Não há quase país nenhum que não tenha com esta potência, fortes relações diplomáticas. Fixemo-nos na interminável guerra ucraniana. Todo o mundo espera que a China seja o principal mediador, para colocar um ponto final neste conflito que tem causado tantos malefícios, não só à Ucrânia e à Europa, mas a uma grande parte dos países do mundo. Cada vez mais a China parece estar no centro da diplomacia mundial. Concorrente com ela encontra-se os Estados Unidos por temer que a China lhe conquiste o seu tradicional lugar de centro da política mundial. É o multipolarismo em força, onde a Rússia luta também por não ser ultrapassada, aspirando a dilatar o seu império, com a guerra na Ucrânia e em demais países. O poder pelo domínio do planeta encontra-se, cada vez mais, em ebulição. No meio de toda esta luta pelo poder, aparecem ainda os Brics em contínua e rápida ascensão. Ao mesmo tempo, a ordem internacional unipolar, centrada até agora nos Estados Unidos e no Ocidente, começa a ser contestada pela poderosa China.
Como se constata, nos últimos tempos, este Estado é o que tem revelado maior capacidade de alterar o complexo sistema internacional. Cada vez mais, os mercados africanos, asiáticos e da América Latina e da própria Europa, são controlados pela China. Hoje, de facto, é este grande país que dispõe de uma maior potência comercial em termos de bens transaccionados, embora nos serviços os Estados Unido da América e a Europa lhe disputem a primazia. Por seu lado, o Ministro da Defesa chinês Li Snchanfu afirmou recentemente que os dois países, América e China podem entender-se mesmo num clima de grande competição. E acrescentou dizendo que um eventual conflito armado entre a China e os Estados Unidos da América, seria um “desastre insuportável” e que o seu país quer o diálogo e não o confronto. O mundo é suficientemente grande, refere ainda, para que a China e os EUA possam crescer juntos. No entanto, isso não deve impedir os dois lados de procurarem um terreno de interesses comuns e de reforçarem laços bilaterais e aprofundar a cooperação “ concluiu o ministro chinês. No entanto, sabemos que as relações entre estes dois países, neste momento, se encontram muito tensas, numa série de questões. A autonomia de Taiwain, as disputas territoriais no mar do sul da China, onde as quezílias são contínuas entre navios de guerra dos dois países e ainda as restrições aplicadas pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, às exportações de chips. A Rússia, por seu lado, cada vez mais se quer agarrar à China, pedindo-lhe o seu apoio, pelo menos moral, para que feche os olhos às atrocidades que está a cometer na martirizada Ucrânia. Vimos esta situação bem clara, quando da visita de Xi Jiping à Rússia em Março de 2023, onde foi assegurada “parceria sem limites”. Face a toda esta movimentação, a UE tem que se decidir como se posicionar, para defender os seus interesses estratégicos, económico – político - militares de segurança neste mundo, cada vez mais complexo e multipolar. O ponto mais complicado é, neste momento, fazer escolhas entre os Estados Unidos, seu tradicional aliado desde a 2ª guerra – mundial, e com a China que procura alterar o sistema mundial a seu favor. A transformação para um mundo multipolar é também a visão de Josep Borrrel, o alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança. Defende que o desafio para a Europa é adaptar-se “ à nova distribuição do poder, enquanto trabalha para mitigar a fractura política do mundo em pólos concorrentes”. É o que hoje se denomina de multipolaridade complexa. A ambição daquilo a que chamamos “Europa geopolítica” é precisamente colmatar o fosso entre o poder económico e a influência política. Macron, por sua vez, após o seu regresso da China em Abril de 2023, opinou no sentido de que a Europa “deve reduzir a sua dependência dos Estados Unidos e evitar ser arrastado para um confronto entre a poderosa China e o potentado da USA relativo a Taiwan. Podemos assim concluir que o mundo está perigoso e a Europa tem de procurar os seus novos caminhos.