A vida de todos os dias mudou. Adaptamo-nos a novas rotinas que criaram um novo normal.
Um normal que nos obriga a duas ordens: confinamento e isolamento.
Na rua passamos a ser desconfiados. Em casa suspiramos por voltar a ter liberdade.
E é interessante parar para refletir, nestes dias que passámos a ter tanto tempo.
Se é verdade que não é fácil trabalhar em casa ao mesmo tempo que se educam os mais novos, acredito que será bem mais angustiante pensar na porta fechada do comércio, fábrica ou negócio sem saber por onde vai entrar o próximo lucro que pagará salários e despesas várias.
A angústia assume, por estes dias muitas formas. A forma das famílias que deixaram de ter contacto, a angústia das contas por pagar, a tremenda angústia de não podermos estar próximos dos nossos doentes ou de acompanhar os que partem.
Acredito, no entanto, que estamos a aprender a relativizar a importância do que sempre julgamos ser prioritário. Estamos a aprender a quantificar aquilo de que verdadeiramente precisamos para viver (ou vamos fazê-lo enquanto a despensa continuar cheia por semanas e semanas).
Estamos a aprender a ficar gratos pelos feitos da inteligência humana, que nos permite continuar em contacto com o mundo inteiro.
Estamos a aprender o valor da paciência para conseguirmos escapar ilesos deste período de clausura.
Estamos imensamente gratos aos profissionais da saúde, da limpeza das ruas, do comércio de bens básicos e farmacêuticos, da recolha do lixo, das entregas e transportadoras. Todos tem um contributo importante para o equilíbrio da vida em sociedade, mas a verdade é que só agora entendemos que não poderíamos sobreviver sem o contributo de todos.
E o que dizer do valor de um bocadinho de varanda, jardim ou quintal onde possamos espairecer um bocadinho? A Terra a mostrar-nos como pode ser uma ajuda para a cura de cada um de nós. Como? Plantem alguma coisa e vejam-na crescer. Aproveitem para explicar aos pequenos a maravilha das leis da natureza, que apenas se abalam com a intervenção humana, mas que continuam a existir. A Natureza vai sempre existir, o bicho homem existirá ou não.
Vamos sair diferentes desta época difícil? Acredito que, alguns de nós, sim. Mas também acredito que a diferença será tanto maior ou mais benéfica quanto maior for a aprendizagem pessoal da relativização, da paciência e da gratidão.
Eu, tenciono fazer a minha parte.