Já com a pandemia parcialmente derrotada, pelas eficazes vacinas que nos vão proporcionando uma maior descontração, iniciamos agora uma nova etapa nas nossas vidas, embora mantendo algumas precauções recomendadas. Já basta de limitações, vivendo nas margens do medo, que nos foi atrofiando muitos momentos da nossa liberdade. Agora, tudo leva a crer, já será o tempo de voltarmos a sonhar com novas aventuras.
Sendo assim, ao longo deste ano de 2021, uma das opções que poderemos escolher para tentamos vencer as múltiplas limitações a que fomos sujeitos, embora envolvidas em várias polémicas entre governantes e especialistas, unirmo-nos às celebrações do Ano Jubilar de Santiago de Compostela, poderá ser uma boa opção. O ponto alto destas Festividades vai ocorreu no dia 25 de julho, dia de Santiago Maior, na sua magnífica catedral barroca.
Como sabemos, para se chegar a Compostela, desde há muitos séculos, é escolhido o tradicional e multifacetado Caminho de Santiago, percorrido por milhares de peregrinos que se dirigem a este lugar de Fé e Cultura, unidos pelo mesmo ideal religioso ou simplesmente por motivo lúdico. Ao longo destes diversos Caminho, devidamente assinalados, encontram-se pessoas das mais variadas origens e das mais diversas formas de vida. Por isso, as dimensões humanas e religiosas do peregrino podem conviver harmoniosamente com esta desafiante aventura que sempre deixa marcas em quem a experiencia.
O peregrino, circulando geralmente em grupo, é desafiado a conhecer e a interagir com pessoas das mais diversas origens geográficas, movimentando-se por realidades desconhecidas, tanto culturais como sociais e económicas. Por esta razão, o Caminho de Santiago já deixou de ser uma realidade europeia, mas foi rasgando fronteiras obtendo assim o reconhecimento como itinerário Cultural Europeu pelo Conselho da Europa e como Património da Humanidade pela UNESCO.
Nesta perspetiva, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) do nosso país, juntamente com o Turismo de Portugal, encetaram já um trabalho de defesa e promoção deste itinerário, reconhecendo-o com uma mais-valia para os portugueses que decidam fazer esta desafiante experiência.
Para o efeito, até já foi criado um Conselho Consultivo para articular entre o setor público e privado, envolve diversos serviços centrais, autarquias, a Igreja Católica e as associações de peregrinos. Todo este esforço, segundo a ministra da Cultura, Graça Fonseca, “com vista à defesa e promoção do património cultural e ambiental, bem como a salvaguarda e promoção do caminho de Santiago”. Deste modo, as regiões abrangidas pelo itinerário do peregrino poderão vir a beneficiar de um maior desenvolvimento social e económico, sobretudo o interior esquecido e moribundo do nosso país, a perder numerosos eleitores de ano para ano.
Este Conselho Consultivo não se encontra inativo e já realizou a sua primeira reunião em setembro de 2019, reunindo representantes de 26 entidades. Neste encontro foi oficialmente reconhecida “a importância do Caminho de Santiago no dinamismo turístico e cultural das várias regiões e a necessidade de serem previstas linhas de apoio financeiro específicas no quadro comunitário de apoio 2021-2027”.
Deste modo, quem se quiser candidatar a estes investimentos, propondo itinerários, para serem financiados e certificados, poderão faze-lo no ministério da Cultura, segundo os normativos em vigor, onde se encontram as orientações técnicas para os projetos serem aprovados e subsidiados. Para tal, poderá contactar a Associação Espaço Jacobeus, uma confraria privada de fiéis, de âmbito nacional, com sede em Braga.
Esta Confraria está sobretudo vocacionada para os peregrinos que pretendem fazer uma caminhada a Santiago de Compostela, percorrendo o Caminho Português de Santiago.
Visa ainda promover o estudo e a investigação sobre os diversos Caminhos do nosso país, através de uma adequada sinalização, conservação e limpeza dos diversos itinerários, em parceria com as autarquias locais, nomeadamente a albicastrense.
Recorde-se que, em 1982, o Papa João Paulo II também fez uma peregrinação a este centenário Santuário fazendo ali um veemente apelo aos católicos, para que os Caminhos de Santigo possam contribuir para o ressurgimento de uma Europa, com raízes cristãs.
Recorde-se ainda que, em outubro de 1987, o Conselho da Europa também declarou este Caminho, como o primeiro itinerário cultural europeu. Mais recentemente, em 17 de maio de 2010, nasceu a Associação de Peregrinos Via Lusitana, para promover e apoiar os milhares de peregrinos que, por Fé ou Aventura façam esta tão rica experiência.