Numa economia globalizada os produtos regionais ganham particular destaque devido à sua singularidade e atratividade em mercados que desconhecem a diversidade dos vários cantos do mundo, onde se produzem preciosidades artesanais, ou receitas ancestrais que ganharam escala em autênticas linhas de montagem.
O nosso país, e em particular a nossa Beira Baixa, é profícuo em receitas ancestrais ímpares desenvolvidas e preservadas de geração em geração e que ainda se mantém desconhecidas da maior parte do mundo, sendo apenas descobertas por alguns turistas curiosos que nos visitam.
Não é a primeira vez que escrevo sobre esta temática, mas faço-o porque este é realmente um nicho de mercado para o desenvolvimento de vários negócios regionais e mesmo para a integração destes negócios na economia internacional extremamente competitiva e exigente, sendo que o ganho de escala é fundamental para a afirmação destes negócios nesse ambiente competitivo.
Posso parecer um beirão orgulhoso quando escrevo que não há queijos, azeite, cerejas ou as peles e lanifícios como os nossos, mas a verdade é que não há no país, nem no mundo produtos que tenham a qualidade que os nossos têm.
Posso parecer um regionalista fervoroso quando afirmo que não há nenhum distrito do país onde se coma ensopado de borrego, javali, cabrito estonado, broas de mel, papas de carolo ou filhós como se prova nos vários concelhos da Beira Baixa, mas na realidade isto é um facto indiscutível.
Enfim, sejam os queijos de cabra e de ovelha, as peles e os lanifícios da Serra caprichosa e serpenteada por estradas esguias, ou a cereja entre a Estrela e a Gardunha, ou o azeite de Penamacor e Castelo Branco ou, ainda, os queijos de mistura de Idanha-a-Nova, o famoso cabrito estonado de Oleiros e os maranhos da Sertã, a verdade é que a nossa Beira Baixa é única na diversidade e qualidade dos seus produtos regionais.
Apesar dos novos negócios e das inovações desenvolvidas em incubadoras empresarias, a valorização dos produtos típicos da Beira é igualmente relevante, pois estes são produtos únicos e que dificilmente podem ser replicados noutras partes do mundo.
São produtos e receitas que representam a nossa região e marcas de referência que são também sinónimo de qualidade e valorizadas pelos consumidores exigentes e com poder de compra, mas que não podem ficar na sombra do desconhecido, ou apenas disponíveis aos turistas que nos visitam.
Nas últimas duas décadas a certificação de marcas foi importante para impedir a replicação desorganizada que poderia colocar em risco a qualidade dos produtos regionais, mas a par da certificação é igualmente relevante explorar os canais de escoamento adequados para os nossos produtos, de modo a não estarem dependentes de uma procura muito sazonal e dependente do turismo, sobretudo nacional.
No contexto atual de globalização, a riqueza da economia regional constrói-se com a conquista dos paladares do mundo, uma vez que a qualidade está comprovada e o conhecimento mantém-se de geração em geração com as necessárias adaptações e inovações que apuram as receitas herdadas.
Em suma, a marca de produtos regionais “Beira Baixa” deve ser explorada e identificados os parceiros adequados para colocar esta riqueza disponível em vários mercados, diversificando a sua procura e evitando a sazonalidade de que depende neste momento, garantindo que a sua actual qualidade e singularidade se mantém.
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