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Os medos e os desafios

Florentino Beirão - 09/01/2020 - 10:17

Ao logo destes últimos dias soalheiros, mas friorentos, fomos partilhando com as pessoas com quem nos cruzámos, por vezes de modo rotineiro, os votos de Feliz Natal e um bom Ano Novo. Um hábito que faz parte da nossa cultura. É como tentarmos prolongar estas festas natalícias. Deste modo, nos fomos envolvendo em sentimentos generosos e afáveis, com os nossos familiares e amigos. Na verdade, as festividades natalícias são geralmente, uma época em que nos encontramos mais predispostos, para manifestarmos os nossos sentimentos de simpatia e de afeto, com aqueles que partilham connosco a alegria de viver.
Neste início do ano de 2020, quando olhamos para o ano anterior, vêm-nos à memória os bons momentos de alegria e os de maior tristeza que passaram por nós. Através dos mais dolorosos, podemos medir a capacidade de resiliência que temos ou não, para ultrapassar, contra ventos e marés, momentos de desconforto.
Tal situação já não acontece, quando olhamos para o futuro que nos espera, no início de cada ano. Nesta altura, o que mais nos preocupa é o medo de um futuro desconhecido, gerador de insegurança. São novos desafios que nos irão interpelar, dia após dia. Por vezes, as angústias que teremos de enfrentar, face a um futuro desconhecido, com os seus segredos bem encerrados, numa caixinha de Pandora.
Daqui surge a necessidades de encaramos os desafios de 2020, tanto nacionais, como internacionais. Não bastaram as lindas e cinzentas mensagens dos políticos e dos dignatários da Igreja, para nos pacificarem, face ao Novo Ano. Se as palavras governassem o mundo, tudo poderia ser diferente. Já tudo foi dito, só falta fazer. Como a mensagem utópica do Presidente Marcelo que afirmou recentemente, que em três anos, se iria resolver o problema dos sem-abrigo, com vidas destroçadas. A estes se junta o elevado número de mulheres assassinadas pelos maridos, quase diariamente. Não esquecendo as crianças e idosos, condenados à sua sorte, sem eira nem beira, à margem da sociedade.
Porém, os desafios a enfrentar, não se ficam por aqui. Lembremos o novo Parlamento saído das últimas eleições, alargado a mais partidos. Se, por um lado, a nível da democracia, é uma mais - valia, por outro, os consensos alargados, para se tentar resolver muitos dos nossos endémicos problemas políticos e sociais, podem tornar-se mais problemático. Oxalá, a demagogia e o populismo radical de alguns partidos, não façam muitos estragos à nossa débil democracia, como tem acontecido, por essa Europa.
Com a problemática aprovação do Orçamento de Estado - adeus à geringonça - e com os futuros líderes políticos que vão liderar o PSD e o CDS, o clima político do país encontra-se ao rubro. As surpresas poderão vir a acontecer, em qualquer momento.
Outro desafio que temos de enfrentar será o de se tentar minorar as profundas desigualdades entre pobres e ricos que, escandalosamente, dividem, o nosso país. Muitas vezes, geradas pela facilidade com que a corrupção tem medrado em Portugal, sem ser atempadamente e exemplarmente punida. Os milhões que temos despejado na banca deviam faze corar de vergonha, muitos dos que continuam por aí à solta. As desigualdades estende-se ainda às diferenças existentes no nosso território, entre o litoral rico e o interior esquecido e mais pobre.
No plano mundial, os desafios são também mais que muitos. Nomeadamente, as alterações climáticas que, dia a dia, vão causando maiores ploblemas ao planeta, já tão castigado pelas facadas que todos lhe damos.
Acrescente-se ainda o flagelo do terrorismo mundial que, inesperadamente, vai lançando ataques rápidos e mortíferos, nas mais diversas partes do planeta. A este propósito, ainda na passada semana, o errático Trump, em férias natalícias, não se coibiu de mandar matar o muito poderoso general iraniano Soleimani, deitando, com esta iniciativa cruel e escusada, mais lenha para a fogueira, do explosivo médio-oriente
Relativamente ao “Brexit” inglês, está a colocar a Europa em sentido, sem se saber ainda ao certo, no que esta aventura vai resultar. Certamente, ao longo deste novo ano, a este respeito, nada vai ficar como dantes. Nem para os ingleses, nem para UE, com muitos e complexos problemas em aberto. Nomeadamente, os ligados aos emigrantes africanos que continuarão a procurar o rico espaço europeu, para fugir à fome e à guerra. Desafios e medos não faltarão. Apesar de tudo, Viva 2020!

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