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Viva o Novo Ano de 2023. Como certo, só a incerteza

Florentino Beirão - 19/01/2023 - 9:33

De um momento para o outro, ao som do foguetório, aterrámos em 2023. Felicidades para aqui e para acolá, foi esbanjar beijos e abraços a amigos e familiares. Uma festa contagiante à qual ninguém ficou indiferente. As autarquias e freguesias não pouparam verbas no divertimento da noite e da passagem de ano. Um ritual que se repete anualmente, em esbanjadoras folias e esplendorosos fogos de artifício.
Não há hotel que se preze que não fique repleto nesta noite, de sonho e abundância.
Só que, quando nos deparamos com a realidade dos dias seguintes, começamos a fazer contas e mais contas à vida e a nossa mente começa a encher-se de dúvidas e mais dúvidas. As incertezas acumulam-se de tal modo que nos deixam perplexos e inquietos quanto ao futuro. 
Pelos sinais últimos, o novo ano de 2023 afigura-se politicamente imprevisível. Não só pelo contexto internacional, com a guerra da Ucrânia e a crise inflacionária. A nível nacional, a incerteza não é menor tanto pelo notório clima de desgaste político do Governo, como da necessidade de uma alternativa política que não vai muito além dos casos e mais casos com que o governo tem dado abundantes trunfos à oposição. Com treze demissões e cinco remodelações, António Costa, com um Governo de maioria absoluta, todos se interrogam de que modo o primeiro-ministro vai recuperar o equilíbrio no seu Governo que acaba de entrar no seu quinto elenco ministerial. O primeiro – ministro, com o Presidente da República a vigiar, terá de afirmar a sua autoridade e mostrar capacidade de liderança e decisão.
Depois da recente aprovação do Orçamento do Estado, Costa é desafiado a realizar a execução orçamental de tal modo que encontre soluções eficazes e urgentes, face à grave crise em que se vive também na EU, na qual estamos mergulhados até ao pescoço. Não será fácil, após um período prolongado de pandemia com que nos defrontámos recentemente. Os novos surtos epidémicos, provocados pelo covid -19, não nos deixam tranquilos ao longo deste ano, de profundas incertezas. Outra incógnita deste novo ano tem a ver com o mais que provável prolongamento da terrível guerra na Ucrânia.
Dizem-nos alguns politólogos que se a paz for estabelecida até ao próximo verão, o combate à inflação e a recuperação dos países membros da União Europeia, poderão acelerar no segundo semestre. Mesmo assim este desafio, segundo Costa, parte com metas estipuladas por si e pelo ministro das Finanças, Fernando Medina, no Orçamento de Estado para 2023.
Isto num ano em que tudo nos leva a crer que o Governo venha a repetir a política de apoios financeiros casuais às pessoas com menores rendimentos. Esta opção do ministro das Finanças infelizmente tem privilegiado esta opção, em vez de aumentos salariais e baixa de impostos.
Com impostos tão altos e serviços do Estado tão deficitários, o cidadão interroga-se de como é possível viver decentemente neste país em que a sua riqueza se vai esbanjando nas mãos de alguns gulosos? Veja-se o caso da TAP e tantos outros, onde campeia a corrupção de tantos sem que a Justiça actue com urgência e eficácia.
Outro dos desafios do Governo de António Costa tem a ver com a necessidade de injectar dinheiro na economia e na sociedade através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que o Governo jura a sete pés que está a ser cumprido regularmente, apesar da oposição colocar algumas reticências. Segundo Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência do Conselho de Ministros e membro responsável pela coordenação deste grande pacote da União Europeia a Portugal, garantiu no passado mês de dezembro no Parlamento, que o nosso país ia receber mais 1,8 milhões de euros no âmbito deste programa porque estava a cumprir as metas de execução.
Outro grave problema que o Governo do país terá que ir resolvendo tem a ver com o Serviço Nacional de Saúde, que se encontra muito doente e a necessitar de tratamentos urgentes e eficazes. As longas filas de espera às portas das urgências e a falta de médicos de família, faz tocar as campainhas dos responsáveis deste sector da governação. Pode ser que o novo ministro deite mãos a esta problemática e crie os Centros de Saúde prometidos recentemente.
Como vemos, as incertezas pairam no ar. Oxalá, 2023 nos traga algumas boas surpresas neste agitado mar de incertezas.

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