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Editorial: Volta

Artur Jorge - 24/09/2026 - 16:49

O Sistema Volta, o novo modelo de Depósito e Reembolso de embalagens de bebidas implementado em Portugal, seguindo a Diretiva Europeia, está a constituir tema de conversa, debate e opinião, tanto junto da sociedade civil como de Governo e autarquias. O assunto não é pacífico e o autarca da capital, Carlos Moedas, fala mesmo do Volta como um “drama social sem precedentes” em Lisboa, aludindo a “uma pressão enorme na higiene urbana”. “Tenho imagens de pessoas a entrarem em caixotes do lixo. É uma vergonha”, advertiu.

Mais consensual é o reconhecimento de que os resíduos de plástico constituem uma das maiores ameaças à biodiversidade do planeta e, por fragmentação, à saúde das espécies. E que o cumprimento das metas europeias, situadas na recolha seletiva de 90 por cento das embalagens de bebidas até 2029, é inevitável.

Os céticos apontam ao exemplo francês, que abdicou do Volta para apostar num sistema “descentralizado, territorial e voluntário”, transferindo para as autarquias a definição do método de recolha, ficando o país sujeito ao escrutínio do cumprimento das metas. Os que aceitam e se estão a adaptar à “filosofia” do Volta, apontam à pacificação e sucesso do sistema nos países nórdicos. Na Suécia vigora desde os anos de 1980, Islândia desde 1989, na Noruega 1999 e na Dinamarca desde 2002. Como dizem os especialistas nestes países, a engrenagem tem é de “ser simples, limpa e rápida”.

A verdade é que, entre o deve e haver dos benefícios e dos riscos sociais associados (naqueles países a recolha de embalagens pelas pessoas tem normas de salubridade), não há Volta a dar-lhe.

Ajuste-se e melhore-se o seu funcionamento.

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