Uma maior sensibilidade das entidades oficiais ajudaria o Orfeão a chegar a mais geografias, como verdadeiros embaixadores da região.
Orfeão tem solicitações do país e do estrangeiro
O Orfeão de Castelo Branco comemora sábado, dia 22 de junho, 67 anos de atividade. Este aniversário é celebrado com um concerto no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB), agendado para as 16H30, e que tem como convidados o Coral Polifónica Agarimo, de Vigo (Galiza) e o grupo albicastrense Quinteto Vivace.
O Orfeão, sob a regência do maestro Rui Barata, vai apresentar um reportório variado, que passa pela música clássica, sacra, latina, sem esquecer as músicas que celebram Abril. Já Lucas Alonso Pérez, maestro do Coral Polifónica Agarimo, escolheu a tradição musical galega para apresentar em terras albicastrenses.
A celebração do aniversário da fundação do Orfeão continua no dia 29 de junho, com a habitual presença na Eucaristia a realizar na Sé Cocatedral, pelas 18H00, em memória de todos os orfeonistas já falecidos, e termina no dia 30, com um piquenique da família orfeonista, na Senhora de Mércoles.
Aos 67 anos de atividade ininterrupta, o Orfeão “está vivo e recomenda-se e é das poucas instituições que a esta idade nunca teve nenhuma fase em que não estivesse ativo”, referem ao Reconquista Daniel Martins e André Gonçalves, da direção do Orfeão. Estes responsáveis também consideram importante para esta longevidade, “a particularidade de diferenciarmos a parte administrativa, da responsabilidade da direção, da parte técnica, que é da responsabilidade do maestro. Há independência absoluta entre estes dois sectores e que é preciso manter”.

A direção quer deixar o Orfeão ainda mais pujante
A carolice é o principal ingrediente que move os orfeonistas, mas sem esquecer que tudo isto “dá muito trabalho, são muitos papéis, muitas coisas a tratar”. Mas para continuar o caminho são precisos apoios, sobretudo das entidades públicas, já que “o Orfeão é um verdadeiro embaixador da cidade”. O grupo é formando por 41 orfeonistas, o maestro e tem pontualmente a colaboração de Camila Macedo. Destacam ainda a participação do senhor Silva, o porta-estandarte, “que não é músico, atualmente vive em Coimbra, mas vem sempre para as atividades do Orfeão”.
Recrutar novos orfeonistas também é preciso, “mais jovens, para garantir a renovação, mas a maior carência é de homens tenores, mas recebemos toda a gente. Era bom que viessem e ficassem, mesmo jovens músicos que há na cidade ou que passam pelo Conservatório e pela Escola Superior de Artes”. A direção reconhece que muitos ainda olham para o Orfeão como uma formação “mais sólida e estável, mas a verdade é que podem vir, um ano ou dois que seja, será um bom contributo. Basta ter disponibilidade para dispor de duas horas (das 21H15 às 23H00) dois dias por semana (terças e quintas-feiras)”.
A formação é amadora, mas “tentamos fazer sempre o nosso melhor”. Tanto assim que as solicitações para atuações “são muitas e, por vezes, já recusamos convites”, uns por questões de agenda, outros por questões financeiras, sendo o caso mais recente um convite que chegou da Áustria. Como prenda “gostaríamos que houvesse uma compreensão maior sobre o que o Orfeão representa para a cidade. Chegamos a todo o mundo, pelas atuações que fazemos e mesmo através das redes sociais já chegaram alguns convites. Os apoios privados são difíceis, não há mecenas e assim é difícil sair daqui”. Já chegou à Câmara uma proposta para que o Orfeão pudesse ir a Manchester, mas ainda não houve resposta.
Desde o início do ano, “já atuamos para mais de 2800 pessoas”. É da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Castelo Branco que chegam os principais apoios, mas são sempre diminutos para cumprir as atividades previstas e poder responder às que vão surgindo e onde seria importante marcar presença. “O coro de Vigo vem retribuir uma visita que o Orfeão já lhes fez, pelo que gostaríamos de os receber com a mesma dignidade com que foram recebidos em Espanha. E o bem receber não é só pela imagem do Orfeão, mas também da cidade”.
Ter 67 anos de atividade ininterrupta é também um sinal de responsabilidade. “Esta direção quando sair da direção quer deixar o Orfeão mais pujante do que o encontramos”, reiteram. Mais recentemente, participaram no concerto de aniversário Conservatório, onde atuaram com a Orquestra da instituição, mas no currículo têm atuações com outras formações, como a Filarmónica de Pampilhosa ou a Banda do Exército, mas também com artistas como Camané, FF, Luísa Sobral, António Sala ou Carlos Alberto Moniz. “Em outubro vamos participar no encontro internacional de coros promovido pelo Luís Cipriano, no Fundão. Vamos participar no espetáculo, mas também vamos estar a concurso. Vamos pelo menos fazer dois concertos para coros nacionais e internacionais e isto deveria ter peso quando as instituições avaliam os apoios. Não é visível que estes aspetos sejam tidos em conta, por isso o que precisávamos como prenda de aniversário, seria uma maior sensibilidade de quem decide”, sublinham.