A corrupção continua a ser um quebra-cabeças para a justiça portuguesa. Seja pelos casos que não chegam a julgamento, seja pela morosidade dos mega-processos que dificilmente chegam à sentença final, seja porque a própria corrupção também já entrou na justiça.
Em 2019 a justiça arquivou 94% das denuncias de corrupção; no 1.º semestre desse ano, apenas 17 destas denuncias deram origem a processos, seja por serem casos muito difíceis, seja por falta de meios, seja por queixas consideradas infundadas. Às vezes temos a impressão de que são os denunciantes que acabam por ser perseguidos, como no caso de Rui Pinto… Ultimamente é a comunicação social de investigação a que está a suscitar mais casos para a investigação.
Outra caraterística destes geralmente mega-processos é a de demorarem muitos anos a ser resolvidos: são todos os expedientes dilatórios usados pelos advogados de defesa dos réus, são todos os recursos possíveis e imaginários, são todas as nulidades encontradas nos processos que levam muitos anos a que um processo transite em julgado. Ainda agora Oliveira e Costa morreu sem sentença final do processo do B.P.N. Esperamos que o julgamento divino o tenha absolvido.
Infelizmente agora cinco juízes da relação foram arguidos por corrupção nas sentenças que deram nesta instância. Se até aqui dizíamos que a justiça é cega, e que poderíamos sempre acreditar nela, agora começamos a ter dúvidas…
O papa Francisco diz que “a corrupção é um cancro que degrada a dignidade das pessoas e destrói os bons e belos ideais”. “A corrupção não pode ser perdoada. Diante de Deus que não se cansa de perdoar, a autosuficiência do corrupto vira em bloqueio que o impede de pedir perdão”.
Devo dizer para que não restem dúvivas que concordo, na íntegra, com ambos os artigos.
Permita-me apenas que, com o devido respeito e neste breve comentário, lhe diga, e com conhecimento de causa, que sobre acredibilidade na "justiça" e sobre corrupção,
não precisa saír do distrito de Castelo Branco.
Não seja eu mal interpretado, estas minhas palavras, pretendem, sem qualquer presunsão, ser um modesto contributo, na senda dos artigos da autoria do Senhor Agostinho Dias, a quem deixo aqui o meu agradecimento.